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17 de março de 2012

A subversão da Igreja e o aparecimento de uma nova religião!



O Modernismo regressa mais uma vez

     Um drama quase desconhecido que se desenvolveu no reinado do Papa Pio XI demonstra que a facção clandestina do pensamento modernista estava viva e sã no período imediatamente a seguir ao de S. Pio X.
     O Padre Raymond Dulac relata que, no consistório secreto de 23 de Maio de 1923, o Papa Pio XI consultou os trinta Cardeais da Cúria sobre se seria oportuno convocar um concílio ecumênico. Estavam presentes prelados ilustres, como Merry del Val, De Lai, Gasparri, Boggiani e Billot. Os Cardeais eram da opinião que não devia convocar-se. Como avisou o Cardeal Billot, «A existência de profundas divergências no próprio seio do episcopado não podia ser ocultada (…) [Há] o risco de se entrar em discussões que se prolongariam indefinidamente».
     Boggiani recordou as teorias modernistas, das quais, afirmou, parte do Clero e dos Bispos não estava isenta. «Esta mentalidade pode inclinar certos Padres a apresentar moções, a introduzir métodos incompatíveis com as tradições católicas».
     Billot foi ainda mais preciso: exprimiu o seu receio de ver o Concílio “manobrado” pelos «piores inimigos da Igreja, os Modernistas, que estão já a aprontar-se, como certos indícios demonstram, para realizarem na Igreja a revolução, um novo 1789»17.

As predições da Maçonaria sobre uma
ruptura modernista num Concílio Ecumênico

     Ao desencorajar a ideia de um Concílio por tais razões, estes Cardeais mostraram estar mais aptos a reconhecerem os “sinais dos tempos” do que todos os teólogos pós-Vaticano II juntos. Mas a sua apreensão poderia estar baseada em algo mais profundo. Talvez estivessem também preocupados com os escritos do iluminado notório, o excomungado Cônego Roca (1830-1893), que pregou a revolução e a “reforma” da Igreja, e que predisse, em pormenores espantosamente precisos, a subversão da Igreja que seria ocasionada por um Concílio.
     Em Athanasius and the Church of Our Time, o Bispo Graber refere-se à predição feita por Roca de uma “Igreja iluminada de novo”, que seria influenciada pelo “socialismo de Jesus”18. Em meados do século XIX, Roca predisse que «A nova igreja, que talvez não consiga reter nada da Doutrina Escolástica e da forma original da antiga Igreja, receberá, mesmo assim, a sua consagração e jurisdição canónica de Roma». Surpreendentemente, Roca também predisse a “reforma” litúrgica do pós-Vaticano II: «[O] culto divino, na forma dirigida pela liturgia, cerimonial, ritual e regulamentos da Igreja Romana, sofrerá em breve uma transformação num concílio ecuménico, que restaurará a venerável simplicidade da idade de ouro dos Apóstolos, de acordo com as exigências da consciência e da civilização moderna».
     Roca vaticinou que, através desse concílio, surgiria «um acordo perfeito entre os ideais da civilização moderna e o ideal de Cristo e do Seu Evangelho. Isto será a consagração da Nova Ordem Social e o baptismo solene da civilização moderna». Por outras palavras, este concílio abriria caminho ao triunfo do plano maçónico para a subversão da Igreja. Roca também se referiu ao futuro do Papado. Escreveu o seguinte: «Há um sacrifício iminente que representa um acto solene de expiação (…) O Papado cairá; morrerá sob a faca santificada que os Padres do último concílio fabricarão. O César papal é uma vítima coroada para o sacrifício». Roca predisse entusiasticamente nada menos que uma «nova religião, novo dogma, novo ritual, novo sacerdócio». Chamou aos novos Padres “progressistas”, e referiu-se à “supressão” da sotaina e ao “casamento dos Padres”19.
     Citando os escritos do heresiarca francês Abbé Melinge (que usou o pseudônimo de Dr. Alta), o Bispo Graber avisou que havia um programa revolucionário para «substituir a Fé romana por um pontificado “pluriconfessional”, capaz de se adaptar a um ecumenismo polivalente, tal como vemos hoje ser estabelecido na intercelebração de Sacerdotes e pastores protestantes». (Melinge referiu-se a certos Padres renegados; mas hoje é o próprio Papa que preside a cerimónias mistas, incluindo Vésperas, com “bispos” protestantes)20.


    
 Encontramos ecos arrepiantes de Roca, de Melinge e da Alta Vendita nas palavras do Rosacruz Dr. Rudolph Steiner, que declarou em 1910: «Precisamos de um concílio e de um Papa que o proclame»21.

A aliança entre a Maçonaria e o Comunismo

     Note-se que, ao combater por estes objectivos, os maçons eram camaradas de luta dos comunistas, que conspiravam com eles para derrubar a Igreja e o Estado. Como o Papa Leão XIII observou na Humanum Genus (1884), a sua encíclica monumental sobre a ameaça que representavam as sociedades maçónicas:
     «Sim, esta mudança, esta subversão, é planeada deliberadamente e apresentada por muitas associações de comunistas e socialistas; e a estas manobras a seita dos maçons não é hostil, mas, pelo contrário, favorece muito os seus desígnios, e partilha com elas as suas opiniões principais».
     Como viemos a saber de numerosas testemunhas independentes, a infiltração comunista da Igreja22 começou cedo, na década de 1930. O próprio Lénin (fundador do Comunismo russo) declarou nos anos 20 que infiltraria a Igreja Católica, particularmente o Vaticano. A evidência histórica quanto a isto foi recentemente sumarizada no venerável periódico Christian Order:
     Douglas Hyde, ex-comunista e célebre convertido, revelou há muito tempo que nos anos 30 as chefias comunistas enviaram uma directiva à escala mundial sobre a infiltração da Igreja Católica. E no início da década de 50, a Srª Bella Dodd também deu informações pormenorizadas sobre a subversão comunista da Igreja. Falando como antiga funcionária de destaque do Partido Comunista Americano, a Srª Dodd disse: “Nos anos 30 pusemos mil e cem homens no sacerdócio para destruir a Igreja a partir do seu interior”. A ideia era que estes homens se ordenassem e subissem até ocupar posições de influência e autoridade como Monsenhores e Bispos. Uma dúzia de anos antes do Vaticano II, ela declarou o seguinte: “Neste momento estão nos cargos mais altos da Igreja” - onde estavam a trabalhar para conseguir mudanças que enfraquecessem a eficácia da Igreja na sua luta contra o Comunismo. Acrescentou que estas mudanças seriam tão drásticas que “não reconhecerão a Igreja Católica”23.
     Como sublinhou a Christian Order, a existência de uma conspiração comunista para infiltrar a Igreja foi abundantemente confirmada, não só pelos antigos comunistas Bella Dodd e Douglas Hyde, mas também por desertores soviéticos:
     O antigo oficial do KGB Anatoliy Golitsyn, que desertou em 1961 e em 1984 previu com 94% de precisão todos os espantosos acontecimentos ocorridos no Bloco Comunista desde aquela altura, confirmou há vários anos que esta «penetração da Igreja Católica, assim como de outras igrejas, faz parte da “linha geral” [isto é, da política imutável] do Partido na luta anti-religiosa». De facto, centenas de documentos passados para o Ocidente pelo antigo arquivista do KGB Vassili Mitrokhin, e publicados em 1999, dizem o mesmo sobre o facto de o KGB cultivar as relações mais cordiais com os Católicos ‘progressistas’ e financiar as suas actividades. Um dos órgãos esquerdistas identificados foi a pequena agência de imprensa católica italianaAdista que, ao longo de décadas, promoveu todas as causas ou “reformas” post-conciliares imagináveis, e cujo Director foi nomeado no Arquivo Mitrokhin como um agente assalariado do KGB.
     A Srª Dodd, que se converteu à Fé pouco antes de morrer, era assessora jurídica do Partido Comunista dos Estados Unidos. Prestou um depoimento volumoso sobre a infiltração comunista na Igreja e no Estado perante a Comissão Parlamentar de Atividades Anti-Americanas nos anos 50. Como se quisesse penitenciar-se pelo seu papel na subversão da Igreja, a Srª Dodd fez uma série de conferências na Universidade Fordham e noutros locais durante os anos que precederam o Vaticano II. A Christian Order recorda o testemunho de um frade que assistiu a uma dessas conferências no início da década de 50:
     Ouvi aquela mulher durante quatro horas e ela pôs-me os cabelos em pé. Tudo o que ela disse cumpriu-se à letra. Pensar-se-ia que ela era a maior profetisa do Mundo, mas ela não era profetisa. Estava apenas a expor, passo a passo, o plano de combate da subversão comunista da Igreja Católica. Ela explicou que, de todas as religiões do Mundo, a Igreja Católica era a única temida pelos Comunistas, porque era o seu único adversário eficaz. A ideia geral era destruir, não a Igreja como instituição, mas antes a Fé do povo, e usar mesmo a instituição da Igreja, se possível, para destruir a Fé por meio da promoção de uma pseudo-religião, qualquer coisa parecida com o Catolicismo mas que não era a autêntica doutrina. Logo que a Fé fosse destruída - explicou ela - introduzir-se-ia na Igreja um complexo de culpa. (…) para classificar a ‘Igreja do passado’ como opressiva, autoritária, cheia de preconceitos, arrogante ao afirmar-se como única possuidora da verdade, e responsável pelas divisões das comunidades religiosas através dos séculos. Isto seria necessário para que os responsáveis da Igreja, envergonhados, adotassem uma ‘abertura ao Mundo’ e uma atitude mais flexível para com todas as religiões e filosofias. Os comunistas explorariam então esta abertura para enfraquecer insidiosamente a Igreja24.
     Ora, se os inimigos da Igreja conseguissem ser bem sucedidos nos seus planos - que acabamos de delinear -, veríamos acontecer as seguintes coisas na Igreja:
  • Em primeiro lugar, como Roca predisse, haveria num concílio ecuménico uma convulsão de tal grandeza que todo o Mundo compreenderia que a Igreja Católica tinha sofrido uma revolução que a alinharia com as ideias modernas. Seria evidente para todos que se tinha dado uma “modernização” da Igreja.
  • Em segundo lugar, seria introduzida uma nova “teologia” que teria tendência a contradizer os ensinamentos anteriores.
  • Em terceiro lugar, os próprios Maçons e Comunistas cantariam a sua vitória, acreditando que a Igreja Católica tinha finalmente “visto a luz” em assuntos como o pluralismo, o estado secular, a igualdade das religiões, e quaisquer outros compromissos que tivessem sido atingidos.
  • Em quarto lugar, como resultado desta subversão, a nova orientação da Igreja acabaria por se sobrepor aos próprios dogmas e tradições da Igreja nos Seus ensinamentos e práticas - incluindo a Mensagem de Fátima, que teria que ser “revista” ou enterrada para se acomodar à nova orientação.
     Resta-nos agora demonstrar até que ponto este plano de subversão da Igreja foi posto em prática, e como deu motivo ao grave crime que foi cometido: a tentativa de neutralizar a autêntica Mensagem de Fátima. Ao cometerem este crime, os acusados deixaram a Igreja e o Mundo expostos aos maiores perigos, incluindo o aniquilamento de várias nações e a perda de milhões de almas. E um tal crime é, com efeito, não só contra a Igreja mas contra a humanidade.

Fonte: ler o texto na íntegra, CLIQUE AQUI!

26 de novembro de 2011

Convocado o Concílio ... "O crime contra Fátima tinha começado"

       Neste ponto da nossa exposição, e especialmente para o leitor não-Católico, deve realçar-se que as mudanças na orientação básica da Igreja (que iremos discutir) não têm qualquer antecedente na História da Igreja Católica e constituem-se, talvez, como a Sua pior crise. Um estudo atento daquilo que se lhe segue evidenciará porque é que a Mensagem de Fátima, com o seu apelo à consagração e conversão da Rússia como arauto da Paz no mundo, se tornou inaceitável para aqueles homens da Igreja, liberais e politicamente correctos, dos passados 50 anos. Estas mudanças - sem paralelo - não foram um benefício, antes um grande prejuízo, para os não-Católicos: o resultado da “modernização” da Igreja incluía não apenas os escândalos que hoje vemos entre o Clero, como também a incapacidade, por parte do elemento humano da Igreja, de realizar um acto - a solene Consagração da Rússia - que traria benefícios a toda a Humanidade.

Um Concílio é convocado e a
Mensagem de Fátima começa a ser atacada

       E aconteceu tal como D. Lambert vaticinou. Roncalli foi eleito, tomou o nome de João XXIII, convocou um Concílio e consagrou o ecumenismo. A “revolução de tiara e capa”, prevista pela Alta Vendita, estava em marcha.

       Um dos primeiros actos da revolução foi pôr de lado o Terceiro Segredo de Fátima. Contrariando as expectativas do mundo inteiro, a 8 de Fevereiro de 1960 (pouco mais de um ano após a convocação do Concílio), o Vaticano divulgava a seguinte notícia anónima, através da agência noticiosa A.N.I.:

       Cidade do Vaticano, 8 de Fevereiro de 1960 (A.N.I.) -«Acaba de ser declarado em círculos altamente fidedignos do Vaticano que é muito possível que nunca venha a ser aberta a carta em que a Irmã Lúcia escreveu as palavras que Nossa Senhora confiou aos três pastorinhos, como segredo, na Cova da Iria (...) É muito provável que o “Segredo de Fátima” fique para sempre sob absoluto sigilo.»

       E encontramos, na mesma comunicação, o primeiro ataque directo de fontes do Vaticano à credibilidade da Mensagem de Fátima, no seu todo:

       Embora a Igreja reconheça as aparições de Fátima, Ela não se compromete a Si própria garantindo a veracidade das palavras que os três pastorinhos dizem ter ouvido de Nossa Senhora.

       Dizem ter ouvido? Poderia haver alguma dúvida sobre a veracidade do seu testemunho, depois do Milagre do Sol? Poderia alguém questionar terem eles recebido do Céu uma profecia autêntica, sabendo-se que, até então, se tinham cumprido todas as predições da Mensagem - desde o fim iminente da I Guerra Mundial até ao facto de se espalharem os erros da Rússia, desde a II Guerra Mundial até à eleição do Papa Pio XI?

       Este primeiro ataque declarado contra a Mensagem de Fátima vindo do interior do aparelho de Estado do Vaticano surge em 1960, à medida que o Vaticano começa a seguir uma nova orientação da Igreja, que (como veremos em seguida) desabrochará com o Concílio Vaticano II. Consideremos estes factos, relacionando-os com o comunicado de 8 de Fevereiro de 1960:

O comunicado põe em causa publicamente a credibilidade de Lúcia, Jacinta e Francisco.
A partir de 1960, a Irmã Lúcia foi silenciada por ordem do aparelho de Estado do Vaticano5, para que não pudesse defender-se da acusação implícita de que o seu testemunho não era de confiança.
Os documentos do arquivo oficial de Fátima, que o Padre Alonso iria compilar entre 1965 e 1976 (mais de 5.000 documentos, em 24 volumes), serão impedidos de ser publicados - embora tais documentos confirmem que as profecias de Fátima, nas duas primeiras partes do Segredo (a eleição do Papa Pio XI, o desencadear da II Guerra Mundial, a expansão do Comunismo pelo mundo, etc.), tinham sido reveladas em privado pela Irmã Lúcia muito antes de se terem cumprido, e que o seu testemunho era completamente correcto e fiável.
       O crime tinha começado. E agora o motivo para o crime - o desejo de mudar a orientação da Igreja, afastando-A das certezas católicas da Mensagem de Fátima e aproximando-A de uma “iluminada” acomodação da Igreja ao mundo - começaria resolutamente com o início do Concílio Vaticano II em 11 de Outubro de 1962. Recordamos mais uma vez as palavras da Irmã Lúcia: que Nossa Senhora desejava que o Terceiro Segredo fosse revelado em 1960, porque seria então “mais claro”. Agora tornar-se-ia, realmente, muito claro.

Os “erros da Rússia” infiltram-se na Igreja

       Primeiro, e ainda antes da abertura do Concílio, houve mais uma traição à Mensagem de Fátima - sinal de muitas coisas sem precedentes que iriam acontecer. Na primavera de 1962, em Metz, França, o Cardeal Eugène Tisserant encontrou-se, nada mais nada menos, com o Metropolita Nikodim, da Igreja Ortodoxa Russa - um agente do KGB, tal como o eram os outros prelados ortodoxos. Nesse encontro, Tisserant e Nikodim negociaram o que viria a ser conhecido como o Pacto de Metz, ou, mais popularmente, o Acordo Vaticano-Moscovo6. A existência deste Acordo Vaticano-Moscovo é um facto histórico irrefutável, atestado em todos os seus pormenores por Monsenhor Roche, secretário particular do Cardeal Tisserant.

       O acordo era substancialmente o seguinte: o Papa João XXIII, de acordo com o seu ardente desejo, seria “favorecido” com a presença de dois observadores ortodoxos russos no Concílio; em troca, a Igreja Católica concordava que o Concílio Vaticano II não condenaria o Comunismo soviético nem a Rússia soviética. Significava isto, em essência, que o Concílio iria comprometer a liberdade moral da Igreja Católica ao fingir que aquela forma mais sistemática do Mal humano na História da Humanidade (o Comunismo) não existia - apesar de, na mesma altura em que o Concílio iniciava os seus trabalhos, os Soviéticos perseguirem, prenderem e assassinarem milhões de Católicos.

       Restringida assim a liberdade da Igreja num acordo com os Comunistas, o Concílio não fez a menor menção ao Comunismo. Com tal procedimento, o Concílio afastou-se dos ensinamentos do Papa Leão XIII, do Bem-Aventurado Pio IX, de S. Pio X e ainda do Papa Pio XI, que recordaram à Igreja que não podia deixar de se condenar este Mal incomparável. Como este último escreveu na Divini Redemptoris.

       Perigo tão ameaçador, vós já o compreendestes, Veneráveis Irmãos, é o comunismo bolchevista e ateu, que visa subverter a ordem social e abalar os próprios fundamentos da civilização cristã. Diante de tal ameaça, não podia a Igreja Católica silenciar, e não silenciou. Não silenciou principalmente esta Sé Apostólica, que tem consciência de ser missão sua especialíssima a defesa da verdade e da justiça e de todos os bens eternos que o comunismo menospreza e combate7.

       E, contudo, o Concílio não diria uma única palavra sobre o Comunismo soviético; pelo contrário, começaria a época do “diálogo” com as mesmas forças às quais a Igreja anteriormente se tinha oposto.

       Porque é que isto aconteceu? Certamente não foi por “coincidência” que o silêncio do Concílio sobre o Comunismo se sincronizou perfeitamente com a infiltração comunista da Igreja Católica - que, como vimos num capítulo anterior, fora revelada pouco antes do Concílio Vaticano II por testemunhas-chave que não tinham motivo algum para mentir (Dodd, Hyde, Golitsyn, Mitrokhin e outros). Mesmo sem estes testemunhos, o nosso senso comum dir-nos-ia que era inevitável que as forças do Comunismo (actuando ao lado das da Maçonaria) tentassem destruir a Igreja Católica a partir do Seu interior. Satanás é suficientemente inteligente para saber que a Igreja Católica é, por excelência, a Cidadela que ele deve tomar de assalto no seu esforço de conquistar todo o mundo para o reino das trevas.

       Era esta, pois, a situação da Igreja no preciso momento em que o Concílio Vaticano II foi erradamente forçado a observar um silêncio vergonhoso quanto ao Mal do Comunismo. E escusado será dizer que, sob esse Acordo Vaticano-Moscovo, a Consagração da Rússia soviética ao Imaculado Coração de Maria pelos Padres conciliares, como meio de alcançar a sua conversão, estava absolutamente fora de questão. Ora este início de viragem para uma nova orientação da Igreja - que o Concílio iria acelerar de forma muito dramática - estava já em conflito com a Mensagem de Fátima.

       E assim tem continuado a ser desde o encontro de Metz, que aumentou a procura da Ostpolitik, a política implementada pelo Secretário de Estado do Vaticano, sob a qual a Igreja cessou toda e qualquer condenação e oposição aos regimes comunistas, substituindo-as por “diálogo” e “diplomacia serena” - uma política que até hoje tem silenciado o Vaticano sobre a violenta perseguição da Igreja na China comunista.

       Assim, em 12 de Outubro de 1962, dois Padres representantes da Igreja Ortodoxa desembarcaram de um avião no Aeroporto de Fiumicino para estarem presentes no Concílio Vaticano II. E o Concílio começou, tendo observadores ortodoxos a seguir as várias sessões, certificando-se de que o Acordo Vaticano-Moscovo estava a ser cumprido. A intervenção escrita de 450 Padres Conciliares contra o Comunismo “perdeu-se” misteriosamente, depois de ter sido entregue ao Secretariado do Concílio, e os Padres Conciliares que se ergueram para denunciar o Comunismo foram delicadamente aconselhados a permanecerem sentados e calados8.

       Os próprios chefes da Igreja tinham “descido a ponte levadiça” para os Comunistas entrarem e, entretanto, Comunistas e Maçons faziam tudo por tudo para destruirem a Igreja a partir do Seu interior (recordem-se as predições de Bella Dodd):

encorajando «a promoção de uma pseudo-religião: qualquer coisa que se parecesse com o Catolicismo mas que na verdade o não era»;
acusando «a ‘Igreja do passado’ de ser opressiva, autoritária, cheia de preconceitos, arrogante ao afirmar que era a única possuidora da Verdade, e responsável pelas divisões das comunidades religiosas através dos séculos»;
envergonhando os dirigentes da Igreja, para que adoptassem «uma ‘abertura ao mundo’ e uma atitude mais flexível para com todas as religiões e filosofias».
       E finalmente - como Dodd predisse - «Os Comunistas explorariam então esta abertura para subverterem a Igreja».

       Este esforço imenso de subversão implicaria, em primeiríssimo lugar, a implantação da “teologia” modernista num concílio ecuménico - tal como o Cónego Roca e os outros iluminados da Maçonaria já se tinham gabado de vir a suceder.


O Derradeiro Combate do Demonio - cap 6, pag 48 a 51.

18 de novembro de 2011

O objectivo da Maçonaria organizada:




Neutralizar e “instrumentalizar” a Igreja Católica

     Como vimos quanto ao exemplo de Portugal em 1917, as forças da Maçonaria (e os seus aliados comunistas) conspiraram para impedir que a Mensagem de Fátima acabasse de se cumprir em Portugal. Insinuou-se que a Mensagem era uma fraude ou uma ilusão infantil; os próprios videntes foram perseguidos e até ameaçados de morte. Tal era o ódio destas forças contra a Igreja Católica e a Virgem Mãe de Deus.
     O mesmo sucede com estas forças que hoje estão à solta por todo o Mundo. Não é preciso descer aos devaneios das teorias de conspiração para saber que, até 1960, os Papas escreveram mais condenações e avisos sobre os manejos dos Maçons e dos Comunistas contra a Igreja do que sobre qualquer outro tema na História da Igreja.
     Sobre este ponto, não podemos deixar de considerar a infame Permanent Instruction of the Alta Vendita, um documento maçónico que delineava todo um plano para infiltrar e corromper a Igreja Católica no século XX1. Apesar de estar na moda, desde o Concílio Vaticano II, ridicularizar a existência de uma tal conspiração, deve notar-se que os papéis secretos da Alta Vendita (uma sociedade secreta italiana), entre os quais a Permanent Instruction, caíram nas mãos do Papa Gregório XVI. A Permanent Instruction foi publicada a pedido do Bem-Aventurado Papa Pio IX pelo Cardeal Crétineau-Joly no seu livro The Roman Church and Revolution2. Pelo seu Breve de aprovação, datado de 25 de Fevereiro de 1861 e endereçado ao autor, o Papa Pio IX garantiu a autenticidade daPermanent Instruction e dos outros documentos maçónicos, mas não permitiu que se divulgassem os nomes verdadeiros dos membros da Alta Vendita mencionados nos documentos. O Papa Leão XIII também pediu a sua publicação. Ambos os Papas actuaram, certamente, para evitar que se concretizasse uma tal tragédia, que estes grandes Pontífices sabiam que estava longe de ser impossível. (O Papa Pio XII também o sabia, como podemos inferir dos comentários proféticos que fez quando ainda era Secretário de Estado do Vaticano).
     O texto completo da Permanent Instruction também se encontra no livro de Monsenhor George E. Dillon Grand Orient Freemasonry Unmasked3. Quando deram um exemplar do livro de Monsenhor Dillon ao Papa Leão XIII, este ficou tão impressionado que encomendou que se fizesse uma edição italiana, paga por sua conta4.
     A Alta Vendita era a loja mais categorizada dos Carbonários, uma sociedade secreta italiana ligada à Maçonaria e que, juntamente com esta, foi condenada pela Igreja Católica5. O respeitável historiador católico Padre E. Cahill, S.J., que não pode ser considerado como um “maníaco das conspirações”, escreveu no seu livroFreemasonry and the Anti-Christian Movement, que a Alta Vendita «era geralmente considerada na altura como o centro governativo da Maçonaria europeia»6. Os Carbonários estiveram especialmente activos na Itália e na França [e em Portugal, sobretudo de 1910 a 1926]6a.
     No seu livro Athanasius and the Church of Our Time (1974), o Bispo Rudolph Graber, autoridade objectiva e irrepreensível que escreveu depois do Concílio Vaticano II, citou um Maçon ilustre que declarou que «o objectivo (da Maçonaria) já não é a destruição da Igreja, mas utilizá-la através da infiltração»7. Por outras palavras, como a Maçonaria não pode obliterar completamente a Igreja de Cristo, tenciona não só extirpar a influência do Catolicismo na sociedade, como também usar a estrutura da Igreja como instrumento de “renovação”, “progresso” e “iluminação” - isto é, como um meio de levar a cabo muitos dos princípios e objectivos maçónicos.
     Ao discutir a visão maçónica da sociedade e do Mundo, o Bispo Graber introduz o conceito de sinarquia: «O que agora enfrentamos é a súmula das forças secretas de todas as ‘ordens’ e escolas, que se uniram para formar um governo mundial invisível. Num sentido político, a sinarquia pretende integrar todas as forças da finança e da sociedade que o governo mundial, naturalmente sob chefia socialista, tem que apoiar e promover. O Catolicismo, como todas as religiões, seria consequentemente absorvido num sincretismo universal. Não só não seria suprimido como, pelo contrário, seria integrado, uma táctica que já está em andamento segundo o princípio da fraternidade entre clerigos (das várias religiões)».
     A estratégia delineada pela Permanent Instruction para atingir este objectivo é espantosa pela sua audácia e astúcia. O documento refere-se, desde o princípio, a um processo que levará décadas a cumprir. Os autores do documento sabiam que não viveriam para assistir ao seu triunfo. Estavam, sim, a inaugurar uma obra que seria retomada por gerações sucessivas de iniciados. Como diz a Permanent Instruction: «Nas nossas fileiras o soldado morre mas a luta continua».
     A Instruction propunha a disseminação das ideias e axiomas liberais pela sociedade e dentro das instituições da Igreja Católica, de tal modo que os leigos, seminaristas, clerigos e prelados seriam gradualmente, e ao longo dos anos, imbuídos de princípios progressistas. Esta nova mentalidade viria eventualmente a ser tão difusa que seriam ordenados Padres, sagrados Bispos e nomeados Cardeais indivíduos cujo pensamento estaria em harmonia com as ideias modernas baseadas nos “Princípios de 1789” (isto é, os princípios da Maçonaria, que inspirou a Revolução Francesa) - ou seja: o pluralismo, a igualdade de todas as religiões, a separação da Igreja e do Estado, a liberdade de expressão sem restrições, e assim por diante.
     Chegar-se-ia por fim a eleger um Papa vindo destes meios, que levaria a Igreja pelo caminho da “iluminação e renovação”. Note-se, desde já, que não estava nos seus planos colocar um Maçon na Cadeira de S. Pedro. O seu objectivo era criar as condições que acabariam por produzir um Papa e uma Hierarquia conquistados pelas ideias do Catolicismo liberal, ao mesmo tempo que se consideravam Católicos fiéis.
     Estes dirigentes católicos liberalizados deixariam de se opor às ideias modernas da Revolução (ao contrário dos Papas de 1789 a 1958, que condenaram de forma unânime estes princípios liberais), mas, pelo contrário, amalgamá-los-iam à Igreja ou “baptizá-los-iam” para os colocarem dentro da Igreja. O resultado final seria um Clero e um laicado católicos que marchariam sob a bandeira da “iluminação”, pensando ao mesmo tempo estarem a marchar sob a bandeira das Chaves Apostólicas.
     Certamente com a Permanent Instruction no pensamento, o Papa Leão XIII em Humanum Genus exortou os dirigentes católicos «arrancai à Maçonaria a máscara com que ela se cobre, e fazei-a ver tal qual é»8. A publicação destes documentos da Alta Vendita era um meio de “arrancar a máscara”.
     Para que não se diga que nós interpretámos mal a Permanent Instruction, vamos agora citá-la extensamente. O que se segue não é a Instruction completa, mas a secção mais relevante como prova. Lê-se no documento:
     O Papa, qualquer que ele seja, não virá às sociedades secretas; compete às sociedades secretas dar o primeiro passo em direcção à Igreja, para conquistar a ambos.
     A tarefa que vamos empreender não é trabalho de um dia, ou de um mês, ou de um ano; pode durar vários anos, talvez um século; mas nas nossas fileiras o soldado morre e a luta continua.
     Não tencionamos atrair os Papas à nossa causa, fazê-los neófitos dos nossos princípios, propagadores das nossas ideias. Isso seria um sonho ridículo; e se acontecesse que Cardeais ou prelados, por exemplo, quer por sua livre vontade ou de surpresa, entrassem em parte dos nossos segredos, isso não seria de modo nenhum um incentivo para desejar a sua elevação à Cadeira de Pedro. Essa elevação arruinar-nos-ia. Só a sua ambição levá-los-ia à apostasia, e as necessidades do poder forçá-los-iam a sacrificar-nos. O que devemos desejar, o que devemos procurar e esperar, tal como os judeus esperam pelo Messias, é um Papa conforme às nossas necessidades (...)
     Com isto marcharemos com mais segurança para o assalto à Igreja do que com os panfletos dos nossos irmãos em França e até do que com o ouro da Inglaterra. Quereis saber a razão? É que com isto, para despedaçar a grande rocha em que Deus erigiu a Sua Igreja, já não precisamos de vinagre anibaliano, ou de pólvora, ou mesmo das nossas armas. Temos o dedo mínimo do sucessor de Pedro comprometido nesta empresa, e este dedinho vale tanto, para esta cruzada, como todos os Urbanos II e todos os São Bernardos da Cristandade.
     Não temos dúvidas de que chegaremos a este fim supremo dos nossos esforços. Mas quando? Mas como? O desconhecido ainda não foi revelado. Contudo, visto que nada nos irá desviar do plano estabelecido e, pelo contrário, tudo tenderá para ele, como se já amanhã o trabalho que mal foi esboçado fosse coroado de sucesso, desejamos, nesta Instrução, que se manterá secreta para os simples iniciados, dar aos dignitários na chefia da Suprema Vendita alguns conselhos em forma de instrução ou memorando, conselhos esses que eles deverão imbuir em todos os irmãos (…)
     Ora bem, para assegurarmos um Papa com as características desejadas, é preciso, em primeiro lugar, modelá-lo (…)[e,] para este Papa, uma geração digna do reinado que sonhamos. Ponde de parte os velhos e os de idade madura; dedicai-vos aos jovens e, sendo possível, até às crianças (…) Conseguireis sem grande custo uma reputação de bons Católicos e de puros patriotas.
     Esta reputação dará acesso à nossa doutrina entre os jovens Clerigos, assim como entrará profundamente nos mosteiros. Em poucos anos, pela força das coisas, este jovem Clero terá ascendido a todas as funções; formará o conselho do Sumo Pontífice, será chamado a escolher o novo Pontífice que há-de reinar. E este Pontífice, tal como a maioria dos seus contemporâneos, estará necessariamente mais ou menos imbuído dos princípios italianos e humanitários que vamos começar a pôr em circulação. É um grãozinho de mostarda preta que vamos confiar à terra; mas o sol da justiça desenvolvê-lo-á ao mais alto poder, e vereis um dia que rica colheita esta sementezinha produzirá.
     No caminho que estamos a traçar para os nossos irmãos, há muitos grandes obstáculos a conquistar, dificuldades de mais do que um género para dominar. Eles triunfarão sobre aqueles pela experiência e pela clarividência; mas o objectivo é de tal esplendor que é importante abrir todas as velas ao vento para o alcançar. Se quereis revolucionar a Itália, procurai o Papa cujo retrato acabámos de esboçar. Se quereis estabelecer o reino dos escolhidos no trono da prostituta da Babilónia, fazei com que o Clero marche sob a vossa bandeira, enquanto acredita que está a marchar sob a bandeira das chaves apostólicas. Se quereis fazer desaparecer o último vestígio dos tiranos e opressores, deitai as vossas redes como Simão Bar-Jona; deitai-as nas sacristias, nos seminários e nos mosteiros em vez de as deitardes no fundo do mar; e, se não vos apressardes, prometemo-vos uma pescaria mais miraculosa que a dele. O pescador de peixes tornou-se pescador de homens; colocareis amigos à volta da Cadeira apostólica. Tereis pregado uma revolução de tiara e de capa, marchando com a cruz e o estandarte; uma revolução que só precisará de ser um pouco instigada para incendiar os quatro cantos do Mundo9.

Fonte: O Derradeiro Combate do Demônio, capítulo 5.

11 de outubro de 2011

Um acto de Justiça e de Misericórdia



Um acto de Justiça e de Misericórdia 

Foi o Papa São Gregório Magno quem declarou «É melhor que o escândalo rebente do que a verdade fique por dizer.» Seja qual for o nosso estado de vida, cada um de nós é membro da Igreja militante, um soldado de Cristo. Por isso, cada um de nós tem por dever defender a Igreja na medida das suas capacidades. Como o Papa São Félix III afirmou: «Não se opor ao erro é aprová-lo e não defender a verdade é suprimi-la; com efeito, não denunciar o erro daqueles que praticam o pecado - quando o podemos fazer - não é pecado menor do que apoiá-los.» 

Deveria ser evidente para qualquer Católico que o tempo está a esgotar-se - quer para os elementos humanos da Igreja quer para toda a civilização em geral. Tal como afirmou São Paulo, “Deus não será escarnecido”. Se alguma coisa aprendemos da História da Salvação, é que: sempre que os Homens se rebelam contra Deus - numa escala maciça como a que estamos agora a testemunhar -, o Mundo será rápida e terrivelmente punido com um castigo vindo de Deus. Ora a Mensagem de Fátima não é senão um aviso de que um tal castigo está iminente no nosso tempo, se os Homens não se afastarem do pecado. 

A Virgem de Fátima facultou-nos os meios de evitar essa punição, embora nós saibamos que foram homens da Igreja que desdenhosamente rejeitaram essa oferta do Céu. Tal como os Reis de França - que desdenharam do pedido, tão simples, de Nosso Senhor para que essa Nação fosse consagrada ao Seu Sagrado Coração - os homens que hoje controlam o aparelho de estado do Vaticano traçaram uma rota com destino à catástrofe - uma catástrofe incomparavelmente maior do que aquela que se abateu sobre a França. 

Mas ainda há tempo de arrepiar caminho. Foi a suprema urgência da nossa situação que nos moveu a escrever este livro e a apresentar as sérias acusações que ele contém. Apresentámos-lhe, leitor, o nosso caso - não como um acto de provocação meramente gratuito, nem sequer com base na justiça inerente a esta causa; mas também como um acto de misericórdia - misericórdia não só para com as vítimas do grande crime contra Fátima, mas também para com os próprios acusados, que à Caridade ficam devedores de uma oportunidade de serem confrontados com a magnitude daquilo que fizeram, de modo a poderem mudar o seu percurso e começarem a reparar os seus erros antes que seja tarde demais para eles - e para nós. Evocamos aqui os ensinamentos de São Tomás: «Devemos ainda lembrar-nos de que, quando alguém censura caridosamente o seu Prelado, isso não significa que pense ser melhor do que ele; mas sim que está simplesmente a oferecer a sua ajuda a quem, ‘estando entre todos em mais alta posição, está por isso mesmo em maior perigo’ como observa Santo Agostinho…» Os actos e as omissões dos acusados não só põem em perigo a segurança temporal da Igreja e do Mundo como a salvação eterna de almas sem conta. Como poderíamos nós ficar calados diante deste perigo? 

Pedimos-lhe o seu veredicto
  
Chegou assim o momento, leitor, de nos dar aquilo a que chamámos ‘o seu veredicto’. Tal como dissemos no início deste livro, não pedimos (nem podemos) um veredicto de culpa semelhante a um pronunciamento jurídico, porque isso não nos compete a nós nem a si, leitor. Pedimos apenas a sua concordância, na nossa condição de filhos ou filhas da Santa Igreja Católica, em como aquilo que os acusados fizeram justifica que se faça uma petição ao Sumo Pontífice João Paulo II, ou ao Seu sucessor, para que se investigue e se dê, efectivamente, remédio ao que é - objectivamente falando - um crime contra a Igreja e contra a humanidade.

Acreditamos que as provas que apresentámos impõem um dever que não pode ser ignorado pelos Católicos de boa vontade. É já agora impossível permanecer neutral neste ponto crítico da luta pela Igreja e pelo Mundo. Acabámos de lhe mostrar as provas - que são esmagadoras. E, tendo-as visto, tem de tomar uma decisão. 

Oramos para que a sua decisão seja a de se juntar a nós, neste esforço, embora humilde, de começar a endireitar o que tem andado tão terrivelmente mal. Nós (por nós mesmos) somos de pequenina importância no grande drama de Fátima; mas trabalhamos pela causa d'Aquela que - pela vontade de Deus - se afirma no centro mesmo da Mensagem. E a Senhora não faltará ao que prometeu, se os Seus filhos, libertos dos desígnios de homens que laboram no erro, fizerem aquele poucochinho que Ela lhes pedira: «Se fizerem o que Eu disser, salvar-se-ão muitas almas e terão Paz. (…) Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará.» 

Para além de obedecer àquilo que Nossa Senhora de Fátima lhe pediu pessoalmente, leitor - como seja rezar o Terço todos os dias -, outra acção prática que pode ser feita é fotocopiar e assinar a petição que se segue, (veja-se capítulo 18) e enviá-la ao editor deste livro* que a encaminhará para o Papa. 

Esta petição serve ainda como um sumário das questões fundamentais que apresentámos neste livro, e pode ser usada para, através de fotocópias, divulgar o seu conteúdo junto daqueles que não têm tempo ou inclinação para ler este livro na íntegra. 

Associação Missionária, c/ R. Feliciano de Castilho. No 111,
2o Esq., 3030-325 Coimbra, Portugal


 





Fonte: Retirado do livro "O Derradeiro Combate do Demônio" | Capítulo 17 | P. 263

16 de setembro de 2011

E entretanto o que podemos fazer?



 O que fazer na prática
 
       Os Católicos devem, naturalmente, reforçar a sua oração com as boas obras. Como dizia Santo Inácio, ‘devemos rezar como se tudo dependesse de Deus, e trabalhar como se tudo dependesse de nós’. Que coisas podem, então, fazer os Católicos, cada qual segundo o seu estado de vida? 

       Como simples leigos, podemos:

  • armar-nos contra a crise - conhecendo melhor a nossa Fé, e informando-nos sobre a Mensagem de Fátima e sobre aquilo que ela realmente significa;
  • informar os outros Católicos (e todos quantos pudermos) da relação que existe entre a Mensagem de Fátima e a crise, tanto na Igreja como no Mundo;
  • dar a todos - com a nossa vida - um exemplo de Fé cristã e de uma sólida moral;
  • instar para que os Bispos e os Párocos locais dêem aos paroquianos uma recta doutrina e liturgia católicas;
  • retirar o apoio financeiro às paróquias e dioceses onde se permite que continue a existir corrupção doutrinal e moral, e abusos litúrgicos - iniciativa que muitos Católicos já tomaram, como resposta aos escândalos sexuais que agora afligem o Sacerdócio;
  • pedir a substituição dos Sacerdotes ou Bispos moral ou doutrinalmente corruptos, usando, como leigos, do direito conferido por Deus de dirigir uma petição às autoridades eclesiásticas, incluindo o Soberano Pontífice, para que desagrave a Igreja dos males que a afligem;
  • rezar - em especial o Terço, que pode vencer todas as heresias e outras ameaças para a Igreja;
  • rezar pelo Santo Padre - como Jesus recomendou à Irmã Lúcia que fizesse -, para que o Papa seja levado a derrotar os inimigos da Igreja e a satisfazer os pedidos de Nossa Senhora de Fátima. 

       Como Sacerdotes ou Religiosos, podemos: 

  • pregar e defender a Fé Católica Romana, segundo a tradição;
  • dar a conhecer a todos a Mensagem de Fátima e o que ela exige da Igreja;
  • dar a todos - com a nossa vida - um exemplo de Fé cristã e de uma sólida moral;
  • apelar aos nossos superiores, incluindo o Papa, para que honrem a Mensagem de Fátima e tomem outras medidas para acabar com a crise moral e doutrinal na Igreja, o que inclui ‘arrancar pela raiz’ os chefes moral e espiritualmente corrompidos - seja qual for o estatuto em que estes lobos se encontrem no meio das ovelhas. 
        
Como jornalistas, autores e editores católicos, podemos: 

  • escrever a verdade sobre Fátima e torná-la tão amplamente conhecida quanto possível;
  • escrever a verdade sobre a actual crise na Igreja e sobre as suas causas, tal como o debatemos neste livro;
  • investigar, expor e condenar a conspiração contra Fátima;
  • publicar, com a extensão que nos for possível, e através dos vários órgãos de comunicação social ao nosso alcance, a verdade sobre Fátima - incluindo a verdade contida neste livro. 
       Como Católicos - quer sejamos leigos, líderes políticos, dirigentes de indústria, comércio ou finanças; diplomatas ou chefes militares -, podemos: 

  • implorar junto do Papa para que siga o plano de Paz vindo do Céu, tal como nos foi transmitido em Fátima - em vez da diplomacia falhada e de negociações humanas apenas, nas quais estão implicados simples homens (como os diplomatas do Vaticano, de que faz parte o Cardeal Sodano);
  • apoiar financeiramente os apostolados ou iniciativas apostólicas que promovem, divulgam e defendem a autêntica Mensagem de Fátima;
  • usar da nossa influência para, prevalecendo sobre certos membros da Hierarquia, cooperar para que se cumpram os imperativos da Mensagem de Fátima - para o bem do Mundo inteiro.


 Fonte: Retirado do livro "O Derradeiro Combate do Demônio"
Foto: Autor desconhecido

27 de agosto de 2011

O leigos tem o direito e o dever de se protegerem de Prelados que se desviaram da fé

 

O exemplo de S. João Gualberto

 

        Porém, é um Santo da Igreja Católica que nos indica o exemplo a seguir quando os Fiéis são confrontados com um Prelado rebelde que traz males à Igreja5. 

        S. João Gualberto viveu no século XII. Não é apenas um Santo; é também o fundador dos Beneditinos Valambrosianos. A sua festa celebra-se a 12 de Julho no calendário antigo. A heroicidade da virtude cristã de S. João Gualberto fica demonstrada por ele ter perdoado o assassino de seu irmão: encontrando-o um dia sem armas e sem defesa num beco sem saída, S. João Gualberto (que ainda nem sequer era monge) sentiu-se movido ao perdão quando o outro, erguendo para ele os braços em forma de cruz, lhe pediu misericórdia por amor de Cristo crucificado. E S. João perdoou àquele homem, apesar de ter andado em sua busca com um bando de soldados, a fim de executar vingança. Era Sexta-Feira Santa - foi então que S. João Gualberto viu uma imagem de Cristo crucificado que, tomando vida, lhe fazia com a cabeça um sinal de assentimento. Nosso Senhor transmitiu nesse momento a S. João uma extraordinária Graça especial que o levou a perdoar ao assassino de seu irmão. Foi também esse momento de Graça que o levou a tornar-se monge. 

        Como vemos, S. João Gualberto é o exemplo acabado do perdão de Cristo: quem pode perdoar o assassino do seu irmão pode perdoar qualquer ofensa. Ele foi ainda um homem de considerável importância na Hierarquia da Igreja, tendo conseguido fundar um Mosteiro e uma Ordem de monges que ainda existe nos nossos dias. A Ordem tinha - e ainda tem - a seu cargo uma igreja em Roma, a Igreja de Santa Praxedes, onde foi descoberta nada mais nada menos do que a coluna a que ataram Cristo para ser açoitado. É nesta igreja, mesmo ao virar a esquina da Igreja de Santa Maria Maior, que se encontra uma pintura do Santo perdoando ao assassino de seu irmão - evento claramente muito importante na História da Igreja. 

        No entanto, para além da sua exemplar misericórdia cristã e da sua relevante estatura na Igreja, S. João Gualberto não hesitou em procurar obter o afastamento de um Prelado corrupto do seu tempo: foi a Latrão (residência do Papa, quando ainda não se tinha criado o enclave do Vaticano) pedir que o Arcebispo de Florença fosse afastado, por ser indigno do seu cargo. O fundamento para o pedido de S. João era ter o Arcebispo subornado com dinheiro certas pessoas influentes, de modo a ser ele designado Arcebispo - isto é, ele comprara o seu cargo eclesiástico, o que constitui um grave pecado de simonia. 

        Ora, não tendo os funcionários do Papa em Latrão - inclusive S. Pedro Damião - feito nada para afastar esse Arcebispo, invocando uma suposta falta de provas, S. João recebeu de Deus uma especial inspiração: como prova de que S. João dizia a verdade sobre o Arcebispo, Deus havia de dar um sinal. Um dos seus frades, o Irmão Pedro, caminharia pelo meio de uma fogueira de onde emergiria miraculosamente sem qualquer queimadura, em testemunho de que era verdadeira a acusação de S. João Gualberto contra o Arcebispo. Então o Santo chamou todo o povo da cidade dizendo-lhes que fizessem uma enorme fogueira com uma estreita passagem pelo meio; e explicou-lhes qual a razão de tudo aquilo e o que iria acontecer. Então o Irmão Pedro, sob santa obediência, passou pela estreita passagem ardente e saiu, são e salvo, pelo outro lado; devido à sua grande Fé foi o Irmão Pedro beatificado (celebrando-se a sua festa a 8 de Fevereiro no Martirológio Romano). Quando os fiéis - leigos - viram este sinal milagroso, ergueram-se todos à uma e expulsaram de Florença o Arcebispo: este teve de pôr a sua vida a salvo; e o Papa teve de designar um digno substituto. 

(...)

 Conclusão:

   O que é que este acontecimento da História da Igreja nos diz sobre a nossa actual situação? Mostra-nos que os leigos têm o direito e o dever de se protegerem de Prelados que, transviados, estão a causar males à Igreja e às almas devido ao seu comportamento desviante. Neste tempo sem paralelo de crise na Igreja, dificilmente estaremos sozinhos na busca - episódica - deste remédio que o Papa nos pode dar.  



Fonte: Texto retirado do livro "O Derradeiro Combate do Demônio", Cap. 16
Credit of the photo: --By Wikipedia

24 de agosto de 2011

Heteropraxis vs Orthopraxis

Na foto: Um padre distribuindo a Sagrada Eucaristia como se fosse um biscoito.


O ataque inclui tanto a má prática
como a má doutrina
 
       Devemos aqui fazer notar que não é apenas por sustentar ou não sustentar a Fé verbalmente que se determina se um membro do Clero (ou do laicado) é bom ou nocivo. Para além da comparação do seu ensino - ou seja: das palavras de um Sacerdote, de um Bispo, de um Cardeal ou do Papa - com o ensino infalível do Magistério, é preciso ver se essa pessoa também professa a prática ortodoxa da Igreja Católica, quer pelas suas palavras (escritas e faladas) quer pelas suas acções e pela conduta cristã da sua vida. É preciso saber se acaso essa pessoa (Sacerdote, Bispo, Cardeal ou Papa) adere a alguma(s) heteropraxis - práticas contrárias à Fé -, tal como o desrespeito para com o Santíssimo Sacramento. 

       Ora a Fé pode ser atacada por acções, quer realizadas de uma maneira óbvia quer subtil. E as nossas acções têm de confirmar as nossas palavras. Assim, nós sustentamos a Fé se formos fiéis às doutrinas nos nossos pensamentos, palavras e escritos; e também se mantivermos as práticas piedosas da Igreja que alimentam a nossa Fé. Mas, se introduzirmos na nossa Paróquia (ou na Diocese ou Província eclesiástica local, ou mesmo na Igreja Universal, como alguns Doutores Católicos escreveram que poderia acontecer) práticas heterodoxas que dão a impressão de que a Fé definida não é digna de crédito, escandalizar-se-ão “os pequeninos” e até algumas almas eruditas, devido a essa(s) heteropraxis. 

       Por exemplo: sabemos pelas definições solenes do Concílio de Trento que Deus nos dá a certeza de que a Hóstia Consagrada é verdadeiramente a Presença Real de Nosso Senhor Jesus Cristo - isto é, o Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Ora os Protestantes rebeldes quiseram negar este artigo da Fé e, ainda, influenciar outros para que fizessem o mesmo. Foi assim que a prática da Comunhão na mão - inicialmente introduzida, como prática muito alargada, pelos hereges arianos do Século IV, em sinal da negação de que Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus - foi re-introduzida. Por esta acção simbólica, a sua negação seria clara aos olhos de todos. 

       Nos nossos dias, os inimigos da Igreja têm usado da heteropraxis para escandalizar muitos Católicos e para lhes fazerem perder a Fé na Presença Real de Jesus Cristo [na Eucaristia]. Por essa razão é que a lei universal da Igreja proibiu a Comunhão na mão, como sendo um abuso, ao longo de muitos séculos - e continua ainda a proibi-la até hoje. O indulto recente [ou seja: a autorização] para ir contra a letra da lei é apenas permitido se esta prática não conduzir à diminuição da Fé na Presença Real, e se não conduzir a um menor respeito para com essa Presença Real de Cristo. Todavia, o resultado é sempre esse, como podemos ver pela nossa experiência diária com esta forma de heteropraxis20. 

       Por outro lado, às práticas que sustentam a doutrina ortodoxa da Igreja dá-se o nome de orthopraxis (isto é, práticas católicas ortodoxas) e incluem: genuflexão na presença do Santíssimo Sacramento, dar/receber a Comunhão na boca, conservar o tabernáculo com o Santíssimo Sacramento como o principal foco de atenção (e de adoração) e como o centro do santuário; o comportamento solene do Clero no interior do santuário, mostrando a devida reverência para com a Presença de Deus no Santíssimo Sacramento. Estes exemplos de orthopraxis (acções ortodoxas que mantêm a Fé) testemunham a verdade do dogma de que o Santíssimo Sacramento é a Presença Real de Deus - Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, sob a aparência de pão - bem como o devido respeito do Homem para com Deus. 

       Exemplos de heteropraxis contra o dogma da Presença Real incluem (como já vimos) a Comunhão na mão. Esta forma de heteropraxis veicula aos Fiéis a mensagem errónea de que o Santíssimo Sacramento não é assim tão importante, visto que Ele é só pão, e promove a heresia de que Ele não é a Presença Real de Deus - Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo sob a aparência de pão. Outro exemplo de heteropraxis nesta área é afastar constantemente do santuário o tabernáculo com o Santíssimo Sacramento - colocando-O numa sala ao lado, ou então numa espécie de “armário de vassouras”, de modo que o foco principal de atenção (e de adoração) no santuário passa a ser a cadeira do “celebrante” ou “Presidente da assembleia”. A mensagem, subtilmente dada e recebida, é a de que a pessoa que se senta na cadeira é mais importante que o Santíssimo Sacramento. E uma vez que o “Presidente da assembleia” representa o povo, é subtilmente dada a mensagem de que Deus é menos importante do que o povo. 

       Estes exemplos fazem-nos lembrar de novo as palavras do Papa Pio XII, citadas mais acima:
       Suponha, caro amigo, que o Comunismo [um dos “erros da Rússia” mencionados na Mensagem de Fátima] foi somente o mais visível dos instrumentos de subversão usados contra a Igreja e contra as tradições da Revelação Divina (...) As mensagens da Santíssima Virgem a Lúcia de Fátima preocupam-me. Esta persistência de Maria sobre os perigos que ameaçam a Igreja é um aviso do Céu contra o suicídio de alterar a Fé na Sua liturgia, na Sua teologia e na Sua alma . (…) Chegará um dia em que o Mundo civilizado negará o seu Deus, em que a Igreja duvidará como Pedro duvidou. Ela será tentada a acreditar que o homem se tornou Deus (…) Nas nossas igrejas, os Cristãos procurarão em vão a lamparina vermelha onde Deus os espera. Como Maria Madalena, chorando perante o túmulo vazio, perguntarão: “Para onde O levaram?”21
       Das palavras do Papa Pio XII parece intuir-se que as formas de heteropraxis (acima mencionadas) contra o Santíssimo Sacramento eram explicitamente mencionadas no Terceiro Segredo de Fátima - porque, se é certo que o Papa Pio XII as relaciona com a Mensagem de Fátima, elas não são mencionadas em parte alguma da Mensagem que já foi publicada. Logo, têm de ser mencionadas no Terceiro Segredo - ou seja, na parte ainda não publicada. O Papa Pio XII diz claramente que é Nossa Senhora de Fátima Quem nos avisa contra «o suicídio de alterar a Fé na Sua liturgia, na Sua teologia e na Sua alma». Portanto, o Terceiro Segredo avisa-nos, tanto em relação à falsa doutrina como à heteropraxis, como sendo ataques contra «o dogma da Fé». 


Credit of the photo: --By Francis Phillips
Fonte: Texto retirado do livro "O Derradeiro Combate do Demônio", Cap. 13

4 de agosto de 2011

Livro "O Derradeiro Combate do Demônio"

 
O aparecimento da “Linha do Partido” sobre Fátima
 
     Mas os Fiéis não abandonariam facilmente a Consagração da Rússia, porque era óbvio que, durante o período 1984-2000, a Rússia não experienciara a Conversão religiosa que a Virgem tinha prometido, como fruto de uma adequada Consagração ao Imaculado Coração de Maria. Muito pelo contrário: apesar de certas mudanças políticas, a condição material, moral e espiritual da Rússia apenas piorou desde a dita “consagração” de 1984. 
     Repare-se nestas provas, que fornecem apenas um esboço da gravidade da situação da Rússia pelo ano 2000 (e que só tem vindo a piorar desde então, como veremos):
  • Uns 16 anos depois da Consagração, a Rússia tem a taxa mais alta de abortos no Mundo inteiro. O Padre Daniel Maurer, CJD, que passou os últimos oito anos na Rússia, diz que, estatisticamente, a mulher russa terá em média oito abortos durante os seus anos férteis - embora o Padre Maurer creia que o número real andará à volta de 12 abortos por cada mulher; ele falou mesmo com mulheres que chegaram a fazer 25 abortos. A principal razão para números tão arrepiantes é que outros métodos de contracepção (que são imorais, de qualquer modo) nem foram difundidos na Rússia, nem são de confiança. Isto deixa o aborto como «o meio mais barato para limitar o tamanho da família». Actualmente na Rússia os abortos são gratuitos; mas os nascimentos não o são7.
  • A taxa de natalidade russa está a baixar, e a população da Rússia está a diminuir ao ritmo de 700.000 pessoas por ano - acontecimento sem precedentes numa nação civilizada durante «uma época de paz»8.
  • A Rússia tem o consumo de álcool mais alto do Mundo9.
  • O satanismo, o ocultismo e a feitiçaria estão em ascensão na Rússia, como até Alexy II, o Patriarca Ortodoxo Russo, admite publicamente10.
  • A homossexualidade está à rédea solta, quer em Moscovo quer por toda a parte do país. Com efeito, em Abril de 1993, nove anos depois da “consagração” de 1984, Boris Yeltsin permitiu que a homossexualidade fosse despenalizada. A homossexualidade é agora “legal” na Rússia11.
  • A Rússia é um centro mundial de eleição para a difusão de pornografia infantil. A Associated Press apresentou um relatório sobre uma rede de pornografia infantil, com sede em Moscovo e ligada a uma outra rede de pornografia infantil no Texas. Citando AP: «A lei russa não distingue entre pornografia infantil e pornografia que envolva adultos, e trata a produção e difusão de ambos como um crime menor - disse Dmitry Chepchugov, chefe do departamento do Ministério do Interior Russo para os crimes de alta tecnologia. A polícia russa frequentemente se queixa do caos legal que fez da Rússia um centro internacional de produção de pornografia infantil. “Infelizmente, a Rússia transformou-se num contentor de lixo mundial de pornografia infantil ” - disse Chepchugov aos jornalistas em Moscovo»12.
  • Agora os Russos vêem avidamente os programas de televisão “da vida real”. Nos shows “da vida real” mais depravados, câmaras de vídeo filmam a vida pessoal íntima de ‘casais’ russos, incluindo a sua actividade sexual. Apesar dos murmúrios de desaprovação de velhos Comunistas, partidários de uma linha dura, os telespectadores russos “nunca se fartam” desta pornografia. O programa «gaba-se de uma taxa de audiências de mais de 50%, e milhares de Russos aguentam temperaturas abaixo de zero e esperam, em fila, durante mais de uma hora, só para espreitarem [essa ‘vida real’] através duma janela do apartamento. Milhões já visitaram esse site da Internet - que bloqueia frequentemente sob o peso do tráfego»13.
  • Quanto à situação da Igreja Católica: em 1997, a Rússia decretou uma lei nova sobre “liberdade de consciência” que deu um estatuto privilegiado à Ortodoxia Russa, ao Islamismo, Judaísmo e Budismo, que foram consideradas “as religiões tradicionais” da Rússia; por seu turno, era necessário às paróquias católicas obterem a aprovação dos burocratas locais, só para terem o direito de existir. Como resultado:
  • O minúsculo Sacerdócio católico na Rússia, uns 200 Sacerdotes, é formado quase inteiramente por Clerigos nascidos no estrangeiro, sendo, a muitos deles, concedidos vistos de entrada no país com um prazo apenas de três meses - enquanto os homens de negócios recebem vistos de entrada de seis meses14.
  • Há apenas dez Sacerdotes nascidos na Rússia em todo o país - cinco na Sibéria e cinco no Cazaquistão -, tendo 95% dos Sacerdotes e Freiras nascido no estrangeiro. Na opinião franca do Senhor Arcebispo Bukovsky, a Igreja Católica «é pequena (…) e será sempre pequena»15.
  • Os Católicos constituem menos de metade de 1% da população russa, enquanto os Muçulmanos russos ultrapassam 10 vezes mais o número de Católicos. Segundo notícia da Rádio Free Europe, o Catolicismo é visto, na Rússia, como «um tipo de esquisitice inexplicável - qual a razão por que um Russo haveria de ser católico?»16.
  • Segundo o Vaticano, há 500.000 Católicos na Rússia, a maioria dos quais estão na Sibéria - para onde Stálin enviara os seus avós17. 
     Dado este tipo de evidências, não era possível - pura e simplesmente - que se desvanecesse facilmente a interrogação sobre se a Consagração da Rússia teria sido feita do modo pedido por Nossa Senhora de Fátima ou não. Portanto, na perspectiva dos executores da nova orientação da Igreja - a Adaptação da Igreja ao Mundo -, algo tinha que ser feito com respeito a Fátima. E, em especial, algo tinha que ser feito com respeito a um Sacerdote canadiano, de nome Padre Nicholas Gruner, cujo apostolado de Fátima se tinha tornado uma voz de peso para milhões de Católicos que estavam convictos de que a Consagração da Rússia ‘descarrilara’ devido aos planos de certas personagens do Vaticano. Era tão simples quanto isto: Fátima e “o Sacerdote de Fátima” tinham que ser enterrados de uma vez por todas. 
     O processo começou já há muito, em 1988, no momento em que - conta Frère François - «uma ordem veio do Vaticano dirigida às autoridades de Fátima, à Irmã Lúcia, a diversos eclesiásticos incluindo o Padre Messias Coelho e um sacerdote francês [evidentemente, o Padre Pierre Caillon] muito devoto de Nossa Senhora, ordenando a todos que deixassem de importunar o Santo Padre com o assunto da Consagração da Rússia». O Padre Caillon, devoto de Fátima, confirmou a emissão desta ordem: «uma ordem veio de Roma, que obrigava todos a dizerem e a pensarem: “A Consagração está feita. Tendo o Papa realizado tudo o que está ao Seu alcance, dignou-se o Céu aceitar este gesto”»18. Foi por esta altura (1988-1989) que muitos Apostolados de Fátima - que tinham persistido em que a Consagração da Rússia ainda não fora feita - inverteram inesperadamente as suas posições e declararam que a Consagração de 1984 tinha cumprido os desejos do Céu. Lamentavelmente, até mesmo o Padre Caillon logo a seguir mudou o seu testemunho e começou a dizer que a Consagração de 1984 tinha cumprido os pedidos da Santíssima Virgem. 
     Foi também por essa época que começaram a circular cartas, alegadamente da Irmã Lúcia, escritas à maquina e geradas por computador. Destas cartas - manifestamente incríveis - ficou típica a de 8 de Novembro de 1989, dirigida ao Senhor Noelker e que contém a afirmação da “Irmã Lúcia” de que o Papa Paulo VI consagrou o Mundo ao Imaculado Coração de Maria durante a sua breve visita a Fátima em 1967 - uma Consagração que nunca aconteceu, como a Irmã Lúcia decerto sabia, porque testemunhou pessoalmente a visita inteira19. 
     Deste modo emergiu a Linha do Partido na Mensagem de Fátima. A que chamamos, exactamente, “a Linha do Partido”? Vladimir Ilyich Lénin disse certa vez: «A mentira é sagrada e o engano será a nossa principal arma.» Portanto, não era surpresa nenhuma que o Pravda, na qualidade de órgão oficial do Partido Comunista Soviético, estivesse cheio de mentiras - embora a palavra russa Pravda signifique “verdade”. Então, um jornal chamado “Verdade” estava sempre cheio de mentiras: porque, como dizia Lénin, «A mentira é sagrada e o engano será a nossa principal arma.» 
     Ora um mentiroso não convencerá ninguém com as suas mentiras, se usar ao peito um grande cartaz a dizer “Mentiroso!”. Nem sequer um palerma acreditaria em tal homem. Para o mentiroso convencer as pessoas de que as suas mentiras são verdade, então a verdade tem que ser redefinida. É isto mesmo o que quer dizer a frase de Lénin «a mentira é sagrada (…)». A mentira torna-se “verdade” e é-lhe servilmente dada adesão, em vez da verdade. Como dizem as Sagradas Escrituras ao pronunciarem a maldição no livro de Isaías: «Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas.» (Is. 5:20). Às trevas da falsidade é dada a aparência da luz da verdade - e é este um dos erros fundamentais da Rússia. 
     Mas este truque de transformar uma mentira em “verdade” não tem a sua origem na Rússia nem nos Comunistas; a sua origem é o demónio, que é o Pai das Mentiras. São Paulo fala do demónio sob a aparência de um anjo de luz. Para ser mais específico, ele está a referir-se ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo: «Mas ainda que alguém - nós mesmos ou um anjo do Céu - vos anuncie outro Evangelho além do que aquele que vos tenho anunciado, esse seja anátema.» (Gal. 1:8). É o demónio, aparecendo sob o aspecto de um anjo de luz, que dá a aparência da verdade, de modo a enganar por meio da mentira. E foi daqui que o erro - “a mentira é sagrada” e “a falsidade é a verdade” - se originou. 
     O Padre Paul Kramer relata uma conversa que teve com o General Daniel Graham, do Exército dos E.U.A. «O General Graham disse que uma vez esteve na Rússia com um oficial soviético e que esse oficial soviético lhe perguntou: “O Senhor não deseja a paz?” E o General respondeu: “Não! Porque eu conheço a vossa definição de paz. Não quero esse género de paz.” Enquanto conversavam, passaram por um cartaz gigante que mostrava soldados armados de espingardas. No cartaz havia a legenda: “Pobieda kommunista eta mir.” Que em português é: “A vitória comunista é a Paz.”» 
     Segundo o ensino marxista, o Estado comunista faz a guerra para fomentar a revolução e emprega todos os meios possíveis de engano - guerra total - de modo a subjugar o Mundo inteiro ao Comunismo. Uma vez que a guerra total se tenha efectuado e que o Comunismo seja vitorioso sobre todo o planeta, haverá então a versão comunista de “paz”. Mas, na realidade, o que é a Paz? A Paz é definida com mais precisão por Santo Agostinho: «A Paz é a tranquilidade da ordem». Qual é a definição correcta? Não se trata de um assunto de avaliação subjectiva. São Tomás de Aquino explica: «ens et verum convertunter», que é uma maneira erudita de dizer que a verdade é convertível com a realidade - ou seja, aquilo que é objectivamente real é, por essa mesma razão, objectivamente verdadeiro. Por outras palavras: a verdade é aquilo que é, enquanto uma mentira é aquilo que não é. Aquilo que não é não pode ser verdade. Logo, se alguém diz, por exemplo, que o branco é preto, tal afirmação é uma mentira - por mais alta que seja a autoridade daquele que faz a afirmação. 
     Segundo a doutrina marxista, todavia, a verdade é aquilo que promove a revolução comunista. E o que é que promove a revolução comunista? Tudo o que tiver sido decidido constituir a Linha do Partido: aquilo que o Partido dita para ser verdadeiro passa a ser “a verdade”, mesmo se, efectivamente, for uma mentira. Deste modo, se a Linha do Partido afirma “que o preto é branco”, é nisso, portanto, que todos os membros do Partido têm de acreditar - simplesmente porque assim foi decidido pelo Partido: “que o preto é branco”. 
     Ora, tal como houve uma espécie de “Estalinização” da Igreja, no sentido de uma Adaptação da Igreja ao Mundo, assim também há-de haver uma espécie de Linha do Partido estalinista sobre Fátima: uma versão da Mensagem de Fátima ditada pelas cúpulas e à qual todos os membros da Igreja da Adaptação pós-conciliar têm de aderir. Essencialmente, a Linha do Partido sobre Fátima resume-se a isto: A “Consagração da Rússia” foi levada a cabo por completo, pelo que todos devem deixar de pedir que ela se faça. Temos “a paz”, tal como foi vaticinado por Nossa Senhora de Fátima. A Rússia está a realizar a “conversão” que Nossa Senhora prometeu. Logo - segundo a Linha do Partido - nada na Mensagem de Fátima ficou por fazer: e Fátima pertence agora ao passado. 
     Como veremos, todos os termos entre vírgulas altas - “consagração da Rússia”, “paz” e “conversão” - foram redefinidos, para a Linha do Partido se acomodar a Fátima. Portanto, em tudo o que diga respeito a Fátima, é-nos agora pedido que acreditemos o equivalente a “o que é preto é branco” - porque é essa a Linha do Partido.