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25 de setembro de 2011

Respeitosamente protesto, porém PROTESTO!


24 de setembro de 2011

Respeitosamente protesto, porém PROTESTO!

Durante sua visita à Alemanha, o papa disse:

1) “Como Bispo de Roma é para mim um um momento  encontrar-me no antigo convento agostiniano de Erfurt com os representantes do Conselho da Igreja Evangélica na Alemanha. Aqui, Lutero estudou teologia. Aqui em 1507, foi ordenado sacerdote. Contra os desejos de seu pai, não continuou os estudos em Direito, mas estudou teologia e se encaminhou ao sacerdócio na Ordem de Santo Agostinho. Neste caminho, não lhe interessava isso ou aquilo. O que lhe tirava a paz era a questão de Deus, que foi a paixão profunda e o centro de sua vida e seu caminho”.

http://www.zenit.org/article-40469?l=spanish

E eu me pergunto como o chefe da única e verdadeira Igreja pode elogiar a "um dos homens que mais têm feito mais mal à humanidade." (Garcia Lorca-Villoslada, História da Igreja Católica, T. III, BAC, Madrid, 1960, p.667)

2) "Foi um erro da idade confessional haver visto maiormente aquilo que nos separa, e haver percebido o modo essencial do que temos em comum em grandes pautas da Sagrada Escritura e nas profissões de fé do cristianismo antigo. Este tem sido o grande progresso ecumênico das últimas décadas: nos demos conta dessa comunhão e, no orar e cantar , na tarefa comum da ética cristã para o mundo, no testemunho comum ao Senhor Jesus Cristo neste mundo, reconhecemos esta comunhão como nosso fundamento imperecível. "

http://revistaecclesia.com/index.php?option=com_content&task=view&id=29015&Itemid=323-

E eu estou querendo saber como o chefe da única e verdadeira Igreja pode desacreditar de semelhante e errônea maneira o cristianismo. (Suponho que isso o papa se referirá quando falar de "idade confessional"). Talvez algum católico do país da Bobolandia possa me explicar, assinalando o que foi dito "deve interpretar em um contexto", ou simplesmente e já à beira da histeria que os "Fachi-tradicionalistas" nostálgicos agimos de má-fé ou que somos burros e não entendemos nada.

Seja como for, protesto, protesto e protesto.

(Nas fotos está Bento XVI com o herege luterano - hoje "irmão separado" - líder da seita na Alemanha, Nikolaus Schneider)

Fonte: Catapulta

21 de setembro de 2011

Bento XVI vs Lutero: Autêntica Hermêneutica da Ruptura!



Bento XVI, que vive dizendo haver continuidade na doutrina da Igreja (e a um concílio é exigida a continuidade para com os anteriores), resolve contrariar todo o propósito, o conteúdo e as conclusões do Concílio de Trento, que mais do que condenou Lutero, para festejar e celebrar, comemorando, as teses da reforma protestante de Lutero na sua próxima visita à Alemanha!

Será que os católicos alucinam, devaneiam ou acreditam que Deus é um idiota daqueles que se enganam e que pensam enganar a todos o tempo todo?

Veja a notícia abaixo com comentário:

Bento XVI e o seu “sufrágio” do luteranismo mais do que condenado em Trento

“Em favor de quem der testemunho de Mim diante dos homens darei testemunho diante do Pai, mas contra quem me negar diante dos homens, Eu também o negarei diante do Pai”, disse Jesus. Leiam a notícia abaixo:

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Para aqueles que imaginam que o progressismo está se desacelerando sob o pontificado de Bento XVI, uma notícia recente vinda de Zenit, 30 de agosto, faz contraprova de tal vão otimismo. Intitulada “Vaticano: Luteranos Preparam Documento sobre a Reforma”, relata que a Igreja e a Federação Luterana Mundial estão preparando uma Declaração Conjunta sobre a Reforma, para celebrar o quinquagésimo aniversário das 95 Teses de Martinho Lutero.[1] 

O Cardeal Kurt Koch, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade Cristã, anunciou que Bento XVI deseja em sua viagem à Alemanha um foco ecumênico. Por favor, note-se que é o próprio Papa Ratzinger quem “deseja” isto, não algum grupo de prelados ao seu redor que o pressionassem a assumir posições progressistas a que ele pessoalmente se oporia. 

Para ter este foco ecumênico, o documento católico-luterano analisará a Reforma sob a luz de 2.000 anos de Cristianismo. O resultado: a comemoração conjunta deste aniversário pode ser ocasião para um mútuo mea culpa. Isso poderá significar uma purificação comum da memória, evocando-se, é claro, as múltiplas desculpas pedidas por João Paulo II.

Para que tal mea culpa possa ser considerado, o mesmo se deve fazer com respeito às demais sentenças passadas da Igreja contra a heresia, incluindo o protestantismo, o que por sinal contradiz o ensino formal da Igreja. Apresento aqui apenas alguns poucos entre tantos outros documentos que mostram que tal mea culpa uma atitude anticatólica: 

• Os hereges são Anticristos e adversários de Cristo (VII Concílio de Cartago).[2] 

• Nós excomungamos e anatematizamos toda heresia, condenando todos os hereges sob quaisquer denominações que possam ser conhecidos; porque, conquanto eles tenham faces distintas, estão, não obstante, ligados uns aos outros pelas caudas (IV Concílio de Latrão). 

• Aquele que apoia a heresia distorce as Sagradas Escrituras com respeito a seu genuíno e verdadeiro significado, sendo culpado de grande injúria perante a Palavra de Deus; e contra esse crime nós fomos alertados pelo Príncipe dos Apóstolos: “Existem certas coisas difíceis de ser entendidas que os incultos e os inconstantes torcem, fazendo para si outras escrituras para sua própria destruição” (II Pedro 3, 16) (Concílio de Trento). 

• Assim, se o senhor teme deixar a unidade católica, fora da qual não há salvação, cuidado com as sutilezas dos hereges (Papa Pio IX).

Encontros com os protestantes e os cismáticos

Durante sua terceira viagem à Alemanha como Papa, Bento XVI também dará continuidade a seu programa de aproximação com as falsas religiões. É o ecumenismo conciliar e o diálogo a todo o vapor.

No primeiro dia da viagem, Bento XVI terá um encontro com a comunidade judaica. No dia seguinte ele se encontrará com representantes da comunidade islâmica. Depois irá a Erfurt, na Turíngia, para visitar os locais onde Lutero viveu. Depois de visitar a Catedral de Santa Maria, encontrar-se-á com representantes da Igreja Evangélica Alemã e depois tomará parte em uma celebração ecumênica na igreja do convento dos agostinianos em Erfurt.

No sábado 24 de setembro, presidirá a Missa as 9 da manhã na Domplatz de Erfurt. À tarde, irá a Freiburg, onde terá um encontro com os representantes das igrejas cismáticas.

Essas visitas papais vaticano-segundas estão direcionadas a agradar as falsas religiões ou a confirmar os católicos na fé? Com efeito, a conversão dos protestantes e dos cismáticos nunca foi mencionada em suas viagens anteriores à Alemanha, e é duvidoso que escutemos qualquer coisa neste sentido também nesta viagem.

Tais ações contradizem frontalmente o ensino dos antigos Doutores e Santos da Igreja. Por exemplo, considerem-se estas sentenças:

• Santo Agostinho: “Portanto, estamos certos em censurar, anatematizar, ter horror e abominar a perversidade de coração mostrada pelos hereges.”

• São Cipriano: “Quem quer que se aparte e se afaste da Igreja será culpado, mesmo que tenha conseguido graças na Igreja. Seu perecimento sera imputado a si próprio.” 

• Santo Afonso Maria de Ligório: “Quantos são os infiéis, hereges e cismáticos que não gozam da felicidade da verdadeira fé! A terra está cheia deles, e eles estão todos perdidos!” 

• São João Eudes: “O maior mal existente hoje é a heresia, uma fúria infernal que lança inúmeras almas na danação eterna.”

• Papa São Leão Magno: “Aqueles que continuam na heresia se tornam imperdoáveis, nunca poderão conseguir o perdão. Eles estão caindo naquela blasfêmia que não pode ser perdoada nem neste mundo nem no julgamento que virá.”[3] (Pois é pecado contra o Espírito Santo).

Os ensinamentos regulares da Igreja sobre a heresia não podem estar no erro, já que estão sob a assistência do Espírito Santo pelo constante e universal Magisterium da Igreja. E, se assim é, os esforços dos seguidores do Vaticano II para fazê-los parecer obsoletos são vãos. Mas assim são as reuniões previstas de Bento XVI na Alemanha, como relatado por Zenit.

Os católicos não precisam “suplicar” aos não católicos que entrem ou tornem a entrar na única Verdadeira Igreja de Cristo, “fora da qual não há salvação”.

Eles precisam é pregar para essas almas perdidas na caridade genuína das palavras de Santa Catarina de Siena, que insistiu: “Volte, volte, e não espere pela vara da justiça. Por nossas faltas não passaremos impunes, especialmente aquelas cometidas contra a Santa Igreja.” 

Eles têm a multidão de milagres que tempo após tempo confirmaram o perene, universal e imutável ensinamento da Igreja. Esta evidência da autenticidade da Fé católica são sinais pelos quais Deus em Sua Misericórdia faz Sua vontade manifesta às criaturas para que possam acreditar n’Ele e em Sua Igreja e salvar suas almas.

Devem todas essas evidências ser negadas e suprimidas por “razões ecumênicas” para atingir objetivos transitórios como a paz humana e o diálogo livre de conflitos? O mais lamentável é que essas concessões aos hereges e cismáticos se dão ao preço da não salvação eterna de milhões de almas.

__________________

[2] All citations are quoted from and documented in The Apostolic Digest, Book III, Chapter 3 http://www.romancatholicism.net/ApostolicDigest9.htm.
[3] Ibid.


Tradução: Frederico de Castro.


Aos urubus de plantão, deixo claro que esse blog não faz apologia a violência, mas ao que é íntegro e justo. A foto do post significa um retrato do ecumenismo de Bento XVI. E as religiosas com as armas logo acima, nos remete a defesa da fé. Combater o bom combate.
Bernardo.

11 de setembro de 2011

Ecumenismo e “Liberdade Religiosa”: algo “novo” em luta com o “antigo”

Encontro de Assis - 27 de Outubro de 1986



Ecumenismo e “Liberdade Religiosa”: algo “novo” em luta com o “antigo”

O fato

O teólogo da Casa Pontifícia, Georges Cottier, disse em uma entrevista a Avvenire (19 de janeiro de 2002) que por trás da rejeição da reforma litúrgica de Paulo VI «se esconde muito mais: a rejeição do Concílio, do ecumenismo, do principio da liberdade religiosa». Não seremos nós quem lhe contradirá; antes, ao contrário, confessamos que identificou muito bem os dois pontos em que se centra a resistência ao Concílio: ecumenismo e “liberdade religiosa”. Acrescentemos que estes dois pontos poderiam reduzir-se a um só, dado que o novo e falso conceito de “liberdade religiosa” se elaborou com vistas ao ecumenismo. Em todo o caso, ecumenismo e “liberdade religiosa” constituem os dois maiores pontos de ruptura com a doutrina tradicional da Igreja, e não seria difícil demonstrar que com eles se conecta qualquer outra “novidade” que vá contra o “antigo” presente nos textos do Concílio, assim como tampouco seria difícil provar que qualquer “novidade” que vá contra a doutrina da Igreja constitui uma corrupção inaceitável dela.

Concílio Dogmático Vaticano I (1869-1870)

Desenvolvimentos e corrupções doutrinais

O Vaticano I declara:

«E, com efeito, a doutrina da fé que Deus revelou não foi proposta como um achado filosófico que deva ser aperfeiçoado pelo engenho humano, mas sim entregue à Esposa de Cristo como um depósito divino, para ser fielmente guardada e infalivelmente declarada» (Denzinger nº 1800). Por isso não se dá nunca nada substancial e absolutamente novo na doutrina da Igreja. O “novo” que aparece nela em virtude do desenvolvimento ou explicitação doutrinal não passa de uma novidade acidental e relativa. Assim, por exemplo, quando a Igreja fazia rezar pelos fiéis defuntos, já ensinava implicitamente o dogma do purgatório; e, quando desta prática litúrgica se inferiu o dogma do purgatório, deu-se a passagem do ensinamento implícito ao explícito, mas não houve nenhuma “novidade” em sentido próprio. Diga-se o mesmo do primado, implícito na prática do recurso a Roma, ou do dogma da Imaculada Conceição, implícito na maternidade divina de Maria, etc.

A Igreja, com efeito, exerce seu magistério de vários modos:

— de maneira explícita (mediante documentos do magistério, teólogos “aprovados”, catequese, pregação etc.);

— de maneira implícita (mediante a prática, particularmente a litúrgica, e as leis disciplinares).

— de maneira tácita, por fim, mediante os documentos ou “monumentos” da tradição (1), nos quais o magistério da Igreja tomou corpo, por assim dizer, no curso dos séculos: livros litúrgicos, normas disciplinares, instituições, ordens religiosas, igrejas e monumentos, devoções, práticas de caridade, obras de zelo ou de piedade, vida dos Santos canonizados, civilização, costumes, língua e arte dos povos cristãos (2), etc.

Pode suceder que, por diversas circunstâncias (heresias, ofuscamento de uma verdade ensinada só implícita ou tacitamente, etc.), se dê a passagem do magistério implícito ao explícito, ou se faça necessário o retorno ao ensinamento explícito de uma verdade que a Igreja se havia limitado a propor tacitamente por um tempo (3).

Um exemplo do retorno do magistério tácito ao explícito se deu, por exemplo, em relação à Tradição, quando a Igreja definiu a noção exata daquela no Concílio de Trento, contra os protestantes, noção que se havia limitado a propor tacitamente no período escolástico.

Assim, pois, toda a explicitação da doutrina não é mais que «uma maneira de afirmar com mais clareza, com mais precisão, com mais certeza, com mais insistência as verdades reveladas que sempre se creram, ao menos implicitamente» (4). Razão por que, apesar do desenvolvimento doutrinal de vinte séculos, Pio XII podia escrever que a Igreja «cumpre o mandato que tem de conservar sempre puras e íntegras as verdades reveladas, e as transmite sem contaminações, sem acréscimos, sem diminuições» (5). Todo o “novo” que seja irredutível ao “antigo” não é um desenvolvimento, mas uma corrupção da doutrina católica.

  As “novidades” do Vaticano II

Com o Vaticano II houve uma irrupção de algo “novo” na Igreja. E isto é já de per si uma novidade sem correspondência na história do progresso doutrinal, sempre lento, gradual, ponderado. Trata-se de algo “novo” que, a partir do Concílio e em nome deste, se infiltrou em todas as maneiras em que se expressa o magistério ordinário:

— modo explícito: “novas” doutrinas, “novas” catequeses, “novas” interpretações ou “releituras” dos Padres da Igreja e até da Escritura Sagrada;

— modo implícito: “nova”, ou melhor, “novas” liturgias, “nova” disciplina (se é que a podemos chamar assim), “novas” práticas, e a verdadeira Igreja de Jesus Cristo considerada do mesmo modo que as seitas heréticas e/ou cismáticas, que o hebraísmo e que as religiões falsas;

— modo tácito: a todos os documentos do magistério precedente se desconsidera na medida do possível, destruindo-os ou sepultando-os no esquecimento, enquanto uma “doutrina” nova de alto a baixo vai tomando corpo e fazendo-se sensível ante nossos olhos em “monumentos” inteiramente novos.

Diante de tamanha irrupção de “novidades”, aos católicos lhes cabe o dever perante Deus, e por conseguinte o direito irrenunciável perante os homens, de perguntar-se se estas “novidades” são desenvolvimentos ou corrupções doutrinais, «se a Igreja de hoje — para dizê-lo com o Cardeal Ratzinger — é realmente a de ontem, ou se a mudaram por outra sem fazê-lo saber» (6).

O contraste com o “antigo”: índice de corrupção doutrinal

Em tais circunstâncias, os católicos não estão desprovidos em absoluto de um critério objetivo para poder distinguir o desenvolvimento legítimo das corrupções doutrinais.

O critério, acessível a todos, ensinam-no os Padres da Igreja, a unanimidade dos teólogos realmente católicos (quer dizer, que “conhecem as regras da fé” e as respeitam), a prática e o próprio magistério da Igreja.
São Vicente de Lérins

 São Vicente de Lérins escreve em seu Commonitorium (século V), ideado precisamente para encontrar «uma regra certa» que permitisse aos católicos distinguir a verdade do erro em tempos em que «a astúcia dos novos hereges exige uma vigilância e uma atenção cada vez maiores»: «Mas se objetará: Não se dará, segundo isso, progresso algum da Religião na Igreja de Cristo? Dê-se em boa hora, e grande. Quem haverá tão mesquinho para com os homens e tão aborrecível a Deus que trate de impedi-lo? Mas de tal maneira, que seja verdadeiro progresso da fé, não uma alteração dela. A saber, é próprio do progresso que cada coisa se amplifique em si mesma; e o próprio da alteração é que algo passe de ser uma coisa a ser outra» (XXIII, 1-3). Depois, comentando a exortação de São Paulo a Timóteo (I Tim 6, 20: «Ó Timóteo, guarda o depósito, evitando as profanas novidades de palavras»), São Vicente de Lérins explica: «Profanas novidades de palavras. De palavras, a saber: as novidades de dogmas, de matérias, de sentenças que são contrárias à antigüidade e ao passado...».(XXIV, 3-4) (7).

Aí está, pois, a regra: se no âmbito da Igreja desponta algo “novo” contrário ao antigo não é uma verdade tirada de seu tesouro, mas a cizânia do erro semeada pelo inimicus homo (Mt 13, 24-3O) (8). Não cabe dúvida quanto a tal coisa. «Ao antigo é que há que ater-se: se a novidade é profana, a antigüidade é sagrada»; é a novidade a que deve cessar «de fazer recair suspeitas sobre a antigüidade e de formular acusações contra ela»; é a novidade a que há de deixar de «molestar e perseguir a antigüidade», enquanto a fé antiga não deve cessar «de opor-se à novidade com todas as suas forças» (9).

Entre os teólogos realmente católicos nos apraz citar aqui o Cardeal Newman, porque os modernistas tergiversam com respeito a ele injustamente.
John Henry Newman—ca 1884

Entre os critérios que pormenoriza para distinguir um desenvolvimento legítimo da corrupção doutrinal, o Cardeal Newman põe «a tendência dos desenvolvimentos posteriores em conservar a doutrina possuída precedentemente»; assim, pois, quando o “novo” tenda, em contrapartida, a excluir o “antigo”, estamos sem dúvida ante uma corrupção doutrinal (10). Trata-se, em essência, do cânon leriniano.

No mesmo critério aparece inspirada a prática da Igreja nos Concílios dogmáticos consagrados a distinguir a verdade católica da heresia.

Já determinou o segundo Concílio de Nicéia (787), ao condenar o conciliábulo dos iconoclastas (Constantinopla, 753), que a coerência doutrinal com a tradição constitui uma das condições da ecumenicidade de um Concílio: «Como poderia ser por sua vez o Sétimo [Concílio] aquele que não concorda com os seis santos Concílios ecumênicos que lhe precederam? [...] Seria como se alinhássemos seis moedas de ouro e lhes acrescentássemos depois um vintém: não se poderia chamar sétima à última, e isso em razão da diversidade de sua matéria...» (11).

«Como poderia [...] pretender ser o Sétimo o que não segue os seis Concílios que lhe precederam?... Vós, que haveis violado as tradições daqueles seis [Concílios precedentes], como haveis podido chamar sétimo ao vosso?»: assim o santo abade Estêvão havia reprovado aos iconoclastas, 25 anos antes, sua ruptura com a tradição, razão por que o mataram a pauladas (12).

Por último, o magistério infalível da Igreja fez sua a regra leriniana no Vaticano I, repetindo-a ao pé da letra na Constitutio de fide catholica, sessão III: «Cresça, pois, e muito e poderosamente se adiante em quilates, a inteligência, ciência e sabedoria de todos e de cada um, ora de cada homem particular, ora de toda a Igreja universal, das idades e dos séculos, mas somente em seu próprio gênero, quer dizer, no mesmo dogma, no mesmo sentido, na mesma sentença» (Denzinger nn.1800 e 1818).


Ecumenismo e “liberdade religiosa”: não progresso, mas corrupção doutrinal

Quando se iniciou o Vaticano II, a Igreja gozava da posse secular e indiscutida de doutrinas explícitas relativas:

— à verdadeira Igreja de Jesus Cristo e, por conseguinte, à posição das seitas heréticas e/ou cismáticas, do hebraísmo e das religiões falsas;

— às relações Igreja/Estado e, em particular, à noção exata de “liberdade religiosa” e à tolerância dos cultos falsos (13).

Ademais, a Igreja gozava, na abertura do Vaticano II, de uma liturgia, expressão íntegra e inequívoca de fé católica.

A estes três campos (eclesiologia, relações Igreja/Estado, liturgia) invadiu-os o que de “novo” trazia o Concílio. Por desgraça, era algo “novo” contrário, ou melhor, em pugna com o antigo. Com efeito, se a Igreja ensina, como ensinou sempre até o Vaticano II, que a Igreja de Cristo é uma só, que fora dela não há salvação e que, portanto, as demais supostas “Igrejas” não são igrejas, mas seitas, «igrejas ilegítimas» (São Irineu), «sarmentos secos» (Santo Agostinho), e que os indivíduos particulares, se padecem de ignorância invencível, podem salvar-se só em virtude da pertença in voto à Igreja verdadeira, de modo algum desta doutrina constante pode inferir-se hoje, com o Vaticano II, que «as igrejas e comunidades separadas [...] de nenhuma maneira estão desprovidas de sentido e valor no mistério da salvação. Porque o Espírito de Cristo não recusa servir-se delas como meios de salvação» (14). Não pode inferir-se tal coisa porque a doutrina “nova” exclui a antiga abertamente e ofende as verdades reveladas que se contêm nela a título de conseqüências. Com efeito, a doutrina nova descobre que são legítimas as “igrejas ilegítimas”, que a seiva da graça divina corre pelos “sarmentos secos” e, em conseqüência, que a Igreja de Cristo já não é única nem constitui «a arca única de salvação» (Denzinger n. 1647). Depois, no pós-Concílio, em nome do decreto conciliar Nostra Aetate, se promoveu também as religiões não-cristãs à categoria de caminhos de salvação, pelo menos «extraordinários».

Mais ainda: se a Igreja ensina, como o fez sempre até o Vaticano II, que Nosso Senhor Jesus Cristo tem direito, por ser Deus, de reinar não só sobre os indivíduos mas também sobre as sociedades, e que, por conseguinte, só a Igreja Católica goza do direito natural e divino à assistência negativa e positiva do Estado, na qual se compreende outrossim o dever de impedir o culto público das religiões falsas, a não ser que motivos de prudência política aconselhem sua tolerância, desta doutrina constante da Igreja não pode deduzir-se de maneira alguma, com o Vaticano II, que exista um “direito” da pessoa humana de que não se lhe impeça a profissão pública e associada de sua crença falsa ou até irreligiosa (15), nem que o mesmo “direito” caiba às seitas e às religiões falsas (16). Não se pode deduzir isso porque a doutrina “nova” exclui a antiga e não deixa imune a verdade revelada que esta compreende a título de conseqüência. Com efeito, no dizer da doutrina “nova”, a Igreja católica já não é a única igreja instituída por Deus e, por conseguinte, cessa o direito unicamente da Igreja católica à assistência do Estado, cessa o dever do Estado de impedir o culto público das religiões falsas e lho substitui pela obrigação de favorecê-las sem discriminação; e já nem há meio de falar em “tolerância”. Em suma, Nosso Senhor Jesus Cristo já não goza do direito de reinar sobre as sociedades; seus próprios ministros o destronaram.
O anterior pode bastar para provar que as “novidades” do Concílio não são progressos, mas corrupções doutrinais, e o confirma irrefutavelmente tudo o que a hierarquia vem fazendo no pós-Concílio em nome daquele, mas contrariamente à tradição católica: a primeira e segunda “reuniões de oração” de Assis, junto com as outras iniciativas ecumênicas, sempre vedadas pela Igreja; a liquidação dos Estados católicos que restavam, incluída a Itália, em razão das “novas” concordatas; a supressão das duas estrofes relativas à realeza social de Nosso Senhor Jesus Cristo no hino das primeiras e segundas vésperas de Cristo Rei etc. etc. Para quê continuar a enumeração? Basta pensar que o Cardeal Ratzinger chegou a declarar “perimée” (17), quer dizer superada, defunta, a doutrina católica sobre as relações Igreja/Estado (como se uma doutrina constante da Igreja pudesse negar-se sem negar também a infalibilidade desta).

Quanto à nova liturgia, de maneira alguma se pode considerar legítimo um Novus Ordo, do qual a posteridade deduzirá (fazendo uso do princípio acima mencionado segundo o qual “a lei da oração estabelece a lei da fé”) que a Igreja professou na última etapa do século XX uma fé mais protestante do que católica no tocante ao Santo Sacrifício da Missa.

Sim, o “teólogo da Casa Pontifícia” acertou em cheio: a resistência católica não luta tão-somente contra o rito de Paulo VI (que nasceu igualmente por motivos ecumênicos), mas também contra “o Concílio, o ecumenismo, a liberdade religiosa”, contra todo o “novo” que se quer acreditar como “desenvolvimento doutrinal”, segundo parece, ao passo que constitui uma corrupção evidente da doutrina à que a consciência católica está vinculada sub gravi.

Hirpinus

Notas:
(1) Dictionnaire de Théologie Catholique, verbete Eglise, col. 2194.
(2) V. J. M. Vacant, Le Magistère de l'Eglise et ses organes.
(3) Franzelin, De Divina Traditione, tese XXIII.
(4) Pio XII, Munificentissimus Deus.
(5) Il Sabato, 30 de julho-5 de agosto de 1988.
(6) Commonitorium, n. 1, 2, 23, 24.
(7) Franzelin, De Divina Traditione, tese XXIV.
(8) Commonitorium, n. 32.
(9) H. Newman, Essay on the Development of Christiam Doctrine.
(10) V. Peri, I Concili e le Chiese (Os Concílios e as igrejas), Roma, 1965, pp. 24-25; texto grego em Mansi, t. XIII.
(11) Ibid., p. 33, n. 25.
(12) V. Dictionnaire de théologie catholique, verbete Igreja, col. 2212 ss.
(13) Les principes de la Théologie catholique, ed. Téqui, Paris, p. 427.
(14) Unitatis Redintegratio, 3.
(15) Dignitatis Humanae, n. 2.
(16) Ibid., n. 4.
(17) Vide Rapporto sulla Fede (Informe sobre a fé), p. 211.

Fonte: Mosteiro da Santa Cruz
Foto: Autor desconhecido.