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8 de março de 2012

Repouso no Espírito Santo



Em Defesa da Integridade da Fé!


Questões à cerca do chamado "Repouso no Espírito Santo" promovido pela Renovação Carismática Católica.

1 de março de 2012

O Carismatismo


O Carismatismo

Por que ele foi permitido?
“Aqueles que querem viver na Vontade de Deus não devem desejar obter (...) revelações ou sentimentos sobrenaturais que superem o estado ordinário daqueles que têm por Deus um temor e um amor muito sinceros. Pois, um semelhante desejo só pode vir de um fundo de orgulho e de presunção. A Graça de Deus abandona a alma tomada por esse desejo e deixa-a cair nessas ilusões e nessas tentações do diabo, que a seduz em visões e em revelações enganosas. É desse modo que o demônio semeia a maior parte das tentações espirituais de nosso tempo e que as enraíza nos corações daqueles que são os precursores do Anticristo”. (São Vicente Ferrer, “Tratado da Vida Espiritual”, 2ª parte, cap. VIII. São João da Cruz, Doutor da vida mística, ensina do mesmo modo: “Assim o demônio fica muito contente de que uma alma deseje revelações ou que a veja inclinada a isso. Porque tem então uma ocasião fácil de lhe sugerir seus erros e de a desviar da Fé tanto quanto puder. Pois [como eu disse] a alma que deseja essas revelações se coloca em uma disposição muito contrária à Fé e atrai para si muitas tentações e muitos perigos." São João da Cruz, “A subida do Carmelo”, livro II, cap. 11).
Ó era da excelência do orgulho por um tão grande egoísmo, não exige para crer que sinta e, sentindo, não dá vazão à vaidade, para que sinta com poder de dominar, por se destacar e, assim, angariar vantagem? Pois este é o orgulho que a serpente deu ao homem para que quisesse ser seu próprio deus.
“Será o demônio, seu inimigo espiritual, que os fará experimentar um fogo interior cuja causa é seu orgulho, a fraqueza da carne e a inquietude de seu espírito” (místico inglês de base para a educação dos monges cartuxos, citado contextualmente mais abaixo no conteúdo principal).
Seus antecedentes históricos, causas e efeitos espirituais e litúrgicos.
Ânsia de poder e um paradigma na revolução feminista contra o sacerdócio real que é masculino.
“Todos ditando à Igreja e falando um tanto de besteiras”, como disse Dom Nitoglia, quando somente o papa pode ditar (se, assim, quiser e, antes, crer), porque só ele é individualmente infalível pelo Espírito Santo.
Veja as razões católicas documentadas para a identificação de fenômeno diabólico no:
“Catecismo Católico da Crise na Igreja”, Pe. Matthias Gaudron, Ed. Permanência, pp. 198-205, Rio de Janeiro, 2011.
Obs. Algumas notas foram suprimidas para não se estender o assunto desnecessariamente.
(...)
“O que é o rito da “efusão do Espírito”?
- O rito da “efusão do Espírito” (ou “Batismo do Espírito” – os pentecostais se referem à palavra de São João Batista: “Eu vos batizei com água; mas Ele vos batizará no Espírito Santo” [Mc 1, 8]. Mas, na realidade, São João Batista fala aqui do Sacramento do Batismo que Nosso Senhor vai instruir e que, diferentemente do batismo de João Batista – simples batismo de penitência – dará o Espírito Santo. Essa diferença entre os dois batismos está claramente afirmada nos Atos dos Apóstolos [At 19, 3-6]) era, originalmente, a marca distintiva de uma seita protestante, a dos “pentecostais”. É uma imposição de mãos, feita com o objetivo de dar uma experiência sensível do Espírito Santo e uma participação nos carismas dos primeiros cristãos – particularmente no falar em línguas.
De onde vem esse rito pentecostal?
- O pentecostalismo nasceu na noite entre 31 de dezembro de 1900 e 1º de janeiro de 1901, em Topeka, no Kansas. Na esperança de reencontrar os carismas dos Apóstolos (sobretudo o falar em línguas), o pastor metodista Charles Parham (1873-1929) impôs as mãos sobre uma moça chamada Agnès Ozman (Agnès Ozman havia, ela mesma, pedido essa imposição de mãos, referindo-se aos Atos dos Apóstolos [At 8, 17-19; 9, 17; 19,6]). Esta se pôs logo a falar uma língua desconhecida - que um oriundo da região da Boêmia reconheceu, no dia seguinte, como sua língua materna. A experiência se espalhou nos dias seguintes, e o pastor Parham partiu a pregar sua descoberta. Perseguido mais tarde por questão de costumes (acusavam-no de homossexualismo), o pastor Parham foi eclipsado por alguns de seus discípulos, como William Seymour (1873-1929). Incomodados com a personalidade de Charles Parham – que foi membro da Ku Klux Klan – alguns pentecostais preferem, hoje, fazer seu movimento remontar à pregação de Seymour em Los Angeles, em 9 de abril de 1906. Naquela noite, seus ouvintes receberam o “batismo do espírito” e começaram a falar em línguas, rir, gritar, cantar, bater mãos e bater com o pé com tal impetuosidade que a velha casa que os abrigava desmoronou. Uma outra inflamação pentecostal (análoga à primeira, porém independente) aconteceu na Grã-Bretanha, em 1904, e influenciou consideravelmente o protestantismo francês. Mas o carismatismo “católico”, mesmo na França, filia-se mais ao pentecostalismo norte-americano. Ver A. Delassus, “Le Renouveau Charismastique aujourd’hui”, suplemento ao nº 162 de “L’Action Familiale et Scolaire”, p. 48; pp. 61-65; p. 135.
Como se espalhou o novo rito pentecostal?
- Os “pentecostais” foram primeiro rejeitados, mesmo pelos protestantes (chamavam-no de “trêmulos” por causa de suas contorções, ou “rolantes” – alguns rolavam no chão durante o culto). Criaram suas próprias igrejas e organizaram-se em círculos muito fechados. Foi somente a partir dos anos 1930, na Europa, e em 1950, nos Estados Unidos, que seu rito saiu das igrejas estritamente pentecostais para penetrar em todas as denominações protestantes. O pastor David Du Plessis (1905-1987) foi o principal artífice dessa difusão “ecumênica” do “Batismo no Espírito”. No fim do século XX contavam-se, no mundo, cerca de cem milhões de pentecostalistas.
Existem precedentes do fenômeno pentecostal?
- O rito propriamente dito do “Batismo no Espírito” é novo, mas as seitas heréticas conheceram, regularmente, fenômenos análogos no curso das eras. No fim do século XVII, uma onda de pietismo agitava os “camisards” protestantes no sul da França: afirmavam sentir o Espírito Santo e a exprimir-se em línguas e choravam copiosamente. As mesmas excentricidades se encontram, a partir de 1731, em Paris, no Cemitério de Saint-Médard, sobre a tumba de um diácono jansenista: convulsões frenéticas atingindo turbas inteiras, êxtases, discursos em línguas desconhecidas, “profecias” etc.
Como se pode explicar esse gênero de fenômenos?
- Esses fenômenos estranhos podem, em parte, ser explicados de modo natural (histeria descontrolada, exaltação psíquica mórbida, alucinações), mas é verossímil que o diabo nelas intervenha com frequência. O fato de se exprimir em línguas nunca aprendidas antes é sinal de possessão diabólica indicada pelo ritual tradicional dos exorcismos (Ritualem Romanum, tit. XI, c.1, parágrafo 3: “Signa autem obsidentis daemonis sunt: ignota língua loqui pluribus verbis [...]”).
Pessoas que invocam o Nome de Cristo com um tal fervor podem, realmente, ser manipulados pelo diabo?
- “Guardai-vos dos falsos profetas (...) Não são todos os que Me dizem Senhor, Senhor, que entrarão no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a Vontade de Meu Pai, que está nos Céus. Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não foi em Vosso Nome que profetizamos? Não foi em Vosso Nome que expulsamos demônios? E não fizemos, em Vosso Nome, muitos milagres? Então, Eu lhes direi em alta voz: nunca vos conheci. Retirai-vos de Mim, operários da iniquidade.” (Mt 7, 15-23)
Como o rito pentecostal penetrou na Igreja Católica?
- O rito pentecostal da efusão do Espírito Santo foi difundido na Igreja pelos católicos ditos “carismáticos”. A “Renovação Carismática” pode ser definida como o “ramo católico da corrente pentecostal” (essa definição é dada pela revista Tychique – revista da comunidade carismática do Chemin neuf, no seu número 50 de julho de 1984).
Qual a origem do carismatismo “católico”?
- O carismatismo “católico” nasceu nos Estados Unidos, em Pittsburg (Pensilvânia), em 20 de fevereiro de 1967, dia em que dois católicos da Universidade de Duquesne receberam a imposição das mãos, em um grupo de oração dirigido por uma presbiteriana, e começaram a falar em línguas. Utilizaram, em seguida, o mesmo rito para transmitir a outros católicos os poderes assim recebidos.

Qual foi o efeito do rito pentecostal sobre os primeiros católicos que o receberam?
- A imposição das mãos produziu nos estudantes católicos da Universidade de Duquesne os mesmos efeitos bizarros que sobre os protestantes. Um dos dois contou: “Minha alegria era tão grande que não podia fazer nada além de rir, estendido por terra”. Um outro: “O sentimento que eu tinha da presença de Deus era tão forte que me recordo de ter ficado sentado uma meia hora na capela, rindo de alegria no pensamento do amor de Deus”. Um terceiro: “Desde que me impuseram as mãos, pareceu-me que todo meu peito iria estourar. Meus lábios começaram a tremer e meu espírito a girar em turbilhão. Depois, eu sorria beatamente, não podia me impedir de fazer isso” (testemunhos citados na obra de Kevin e Dorothy Ranaghan, “Le Retour de L’Esprit”, Paris, Cerf, 1972).
O que manifestam essas reações?
- Essas reações chocantes revelam uma intervenção demoníaca. Enquanto o Espírito Santo faz reinar a ordem e a discrição, o espírito demoníaco, mesmo quando se disfarça em anjo de luz, trai-se geralmente por alguma manifestação grotesca (o místico inglês do século XIV, autor da obra “Le Nuage de l´inconnaissance” [um dos livros de base dos noviços cartuxos], escreveu assim: “Há, com efeito, esses iludidos todos saturados de manias incomuns em sua atitude exterior. Alguns não cessam de sorrir ou de rir a toda palavra que pronunciam, como meninotas de riso solto ou como jograis a quem falta postura e que se entregam a todas as palhaçadas. Todavia, a atitude que deveriam conservar seria a de uma perfeita decência, com muita ponderação e com muita reserva em sua postura e na expressão de sua alegria. Não quero dizer que esses hábitos pouco decentes sejam, por si mesmos, grandes crimes, nem que aqueles que os adquirem sejam grandes pecadores; mas se esses hábitos tomam conta de um homem tão fortemente que ele não possa se desfazer deles quando quiser, eles são sinais. É por eles que o operário espiritual manifestará o que é a sua obra”).
O demônio pode, então, inflamar as almas de amor a Deus?
- O demônio não pode inflamar as almas de amor a Deus, mas pode dar essa impressão àqueles que querem sentir demais a ação da Graça: “Não é necessário mais para permitir ao diabo fazê-los ver falsas luzes ou escutar falsas melodias (...) e espalhar um fogo ou um calor extraordinário dentro de seu peito, de suas costas, de seus rins ou de seus membros. Entretanto, em meio a todas essas coisas fantasmagóricas, imaginam, erroneamente, conservarem no repouso a lembrança de Deus sem serem detidos por nenhum pensamento vão. E têm razão sobre esse ponto, em certo sentido, pois estão tão mergulhados no erro que as vaidades não os podem tentar. E por quê? Porque esse mesmo demônio que procuraria excitar neles pensamentos vãos, se estivessem no bom caminho, é o principal agente da obra que executam. Adivinhas bem que ele não faz obstáculo a si mesmo. Evita bem de lhes tirar a lembrança de Deus, temendo que suspeitem da verdade” (“Le Nuage de i’inconnaissance”, ibid., cap. 52. O mesmo autor explica: “Será o demônio, seu inimigo espiritual, que os fará experimentar um fogo interior cuja causa é seu orgulho, a fraqueza da carne e a inquietude de seu espírito. Mas imaginarão, erroneamente, sentir o fogo do amor e obtê-lo da Graça e da Bondade do Espírito Santo [...] A ilusão que procede desse falso sentimento, e do falso conhecimento que a acompanha, reveste formas variadas e estranhas, conforme a diversidade dos estados e das condições particulares daqueles que sucumbem a ela” [cap.45]).
Acham-se alertas análogos nos escritos dos Santos?
- São Vicente Ferrer ensina, em seu tratado de vida espiritual:
“Aqueles que querem viver na Vontade de Deus não devem desejar obter (...) revelações ou sentimentos sobrenaturais que superem o estado ordinário daqueles que têm por Deus um temor e um amor muito sinceros. Pois, um semelhante desejo só pode vir de um fundo de orgulho e de presunção. A Graça de Deus abandona a alma tomada por esse desejo e deixa-a cair nessas ilusões e nessas tentações do diabo, que a seduz em visões e em revelações enganosas. É desse modo que o demônio semeia a maior parte das tentações espirituais de nosso tempo e que as enraíza nos corações daqueles que são os precursores do Anticristo”. (São Vicente Ferrer, “Tratado da Vida Espiritual”, 2ª parte, cap. VIII. São João da Cruz, Doutor da vida mística, ensina do mesmo modo: “Assim o demônio fica muito contente de que uma alma deseje revelações ou que a veja inclinada a isso. Porque tem então uma ocasião fácil de lhe sugerir seus erros e de a desviar da Fé tanto quanto puder. Pois [como eu disse] a alma que deseja essas revelações se coloca em uma disposição muito contrária à Fé e atrai para si muitas tentações e muitos perigos. São João da Cruz, “A subida do Carmelo”, livro II, cap. 11).
Esse texto de São Vicente Ferrer se aplica ao pentecostalismo ou ao carismatismo?
- É precisamente na intenção de “falar em línguas” que Agnès Ozman pediu ao pastor Parham para lhe impor as mãos. Foi também para se beneficiarem de “carismas” extraordinários manifestados pelos pentecostais que os católicos de Pittsburgh lhes pediram essa mesma imposição das mãos.
A Renovação Carismática não realiza um certo bem, trazendo de volta ao Catolicismo algumas almas, e mantendo a piedade de outras?
- O demônio, que enxerga a longo prazo, sabe perder um pouco para ganhar muito. É o ensinamento da Bem-aventurada Maria da Encarnação:
“Os êxtases, as visões e as revelações não são de jeito nenhum um argumento inconteste da permanência ou da assistência de Deus em uma alma. Quantos se viram que foram enganados com esses tipos de visões? Embora tenham sido a causa de conversão ou mesmo da salvação de algumas almas, é um estratagema do espírito maligno que fica contente em perder um pouco para ganhar muito”. (Bem-aventurada Maria da Encarnação [Madame Acarie], citada por A. Delassus, ibid., p. 154. O bem-aventurado Jourdain de Saxe [1190-1236] teve que exorcizar um certo irmão Bernard. Possuído pelo demônio, este pregava de uma maneira tão penetrante, com uma entonação tão tocante, um ar tão piedoso e palavras tão profundas que arrancava lágrimas de todos os que o escutavam. Logo que foi descoberto, por outro lado, mudou o tom e não pronunciava mais que palavras imundas. Como o bem-aventurado o interrogava: “Onde estão, então, teus belos discursos?”, ele respondia: “Já que minha farsa foi descoberta, quero me mostrar tal como sou” (Jourdain de Saxe, O. P., “Libelius de principiis ordinis praedicatorum”, parágrafos 110-119)
Qual vantagem o demônio pode encontrar nessas manifestações de piedade?
- O pentecostalismo não apenas despertou e revitalizou um protestantismo moribundo que arriscava deixar o campo livre para a Igreja Católica, mas lhe permitiu, hoje em dia, conquistar progressivamente a América Latina. O demônio nisso encontrou vantagens evidentes. Do mesmo modo, o carismatismo “católico” perpetua, no próprio seio da Igreja, erros que a destroem.
O carismatismo não se opõe à dessacralização pós-conciliar?
- É precisamente porque reage contra certos excessos que o carismatismo atrai católicos perplexos com a crise, mas para reconduzi-los aos erros conciliares! (Como o ecumenismo, a liberdade religiosa e a missa nova da qual é inseparável. Do mesmo que o pentecostalismo reconduziu ao protestantismo aqueles que seu excessivo rigorismo fazia fugir em massa.).
Pode dar um exemplo?
- A Toca de Assis reintroduziu a adoração ao Santíssimo Sacramento, o terço, a Confissão etc. Essas devoções “conservadoras” fizeram cair muitos católicos desorientados. Mas esse “conservadorismo” serve, sobretudo, para conservar... as novidades conciliares! Quem poderia negar que as teatralidades sentimentais das quais os carismáticos têm o segredo são as principais muletas que ainda sustentam a nova Liturgia? (Uma vez que exploram a alegria da Ressurreição com exclusividade – como se esta já estivesse definida para os conviventes – como os carismáticos voltariam à Cruz e ao Sacrifício da Missa tridentina? Muitos deles dizem como os protestantes que a Cruz de Cristo está vazia...).
Qual o nexo entre o Vaticano II e o carismatismo?
- O Vaticano II é plenamente responsável pela introdução do rito pentecostal no seio do Catolicismo. Não somente porque João XXIII queria no Concílio, um “novo pentecostes”, ou porque o pastor pentecostalista David Du Plessis – que havia tão eficazmente trabalhado na infiltração do “Batismo do Espírito” em todas as confissões protestantes – tivesse sido convidado ao Concílio como “observador” (deve-se a ele a introdução de algumas passagens sobre os carismas nos textos conciliares - como na “Lumen gentium”, sobre a Igreja, no nº 12, parágrafo 3º, quando se enfatiza que “o Espírito sopra onde quer” para se fortalecer o reputado “apostolado” dos leigos), mas, sobretudo, porque foi o decreto do Vaticano II sobre o ecumenismo – “Unitatis redintegratio” – que levou os católicos da Universidade de Duquesne ao “batismo do Espírito”.
Como esse decreto pôde conduzir católicos ao “batismo do Espírito”?
- Falando das comunidades da Igreja Católica, o decreto “Unitatis redintegratio” afirma que “o Espírito de Cristo não recusa se servir delas como meio de salvação” (parágrafo 3º do decreto). Diz também que “tudo o que é realizado pela Graça do Espírito Santo nos irmãos separados pode contribuir para a nossa edificação” (em seu parágrafo 4º - porém, a Tradição e o Concílio de Trento afirmaram infalivelmente que os protestantes jamais podem ter a plenitude da Graça ou a Graça santificadora). Essas passagens [do citado decreto] foram decisivas para os católicos da Universidade de Duquesne pedirem aos protestantes a imposição das mãos, em 20 de fevereiro de 1967. (“Enquanto católicos, estavam respaldados pelo Concílio, que havia afirmado: “Tudo o que é realizado pela Graça do Espírito Santo nos irmãos separados pode contribuir para a nossa edificação”. Depois de se terem informado bem, decidiram pedir a um grupo de pentecostalistas para orarem por eles e sobre eles.” Mário Panciera em “Présence chrétienne”, nº 12, abril de 1989, citado em “Courrier de Rome”, “Si Si No No”, nº 111 de fevereiro de 1990, p.2).
Como o carismatismo favorece os erros do Vaticano II?
- O carismatismo contribui, como o Concílio Vaticano II:
I) para estimular um falso ecumenismo (o carismatismo nasceu ecumenista);
II) para confundir, em todos os domínios, a ordem da natureza e a da Graça;
III) para enfraquecer a autoridade hierárquica querida por Deus;
IV) para esquecer toda parte ascética da vida espiritual.
Como o carismatismo contribui para confundir natureza e Graça?
- Querer sentir a ação da Graça (de si não sensível) é expor-se a confundir Fé e sentimento religioso (assim como os modernistas – a confusão entre Fé e sentimento religioso é o erro do modernismo condenado por São Pio X, na sua encíclica “Pascendi Gregis”, de 1907, porque dito equivocadamente que Fé é um sentimento, emergente do subconsciente, que exprime a necessidade do divino. Daí, o enganoso mas propalado “Encontro com Cristo”, como vivência ou “prova” superior ao restante enquanto apenas reputado como “ato de Fé”. Na verdade, o ato de Fé não é um sentimento, mas a recepção consciente e voluntária da Revelação Divina, tal como esta se apresenta ao homem na Sagrada Escritura e na Tradição (conforme sempre ensinou a Igreja e a remissão feita ao nº 11, p. 23, da mesma obra transcrita do “Catecismo católico da crise na Igreja”); mas também [confusão entre] inspiração divina e imaginação; Esperança teologal e otimismo; vida da Graça e bem-estar psicológico. A psicologia ocupa, ademais, um lugar muito grande nas comunidades carismáticas (a ponto de sua produção literária ser confundida com os manuais de “auto-ajuda” – sendo benéfico advertir que o “psicologismo” também foi condenado no grau de heresia pela Igreja antes do Vaticano II).
O que se pode dizer, em definitivo, do rito da efusão do espírito?
- Os próprios carismáticos não sabem muito bem como explicar o rito da efusão do Espírito. Não pode ser um Sacramento, já que Jesus Cristo só instituiu sete. Veem nele, pois, um caminho de conversão, uma reativação dos Sacramentos do Batismo e da Crisma, ou mesmo uma experiência espiritual. Mas nenhuma dessas explicações dá conta da eficácia de um rito que parece agir por si mesmo, como um Sacramento.
Pode-se realmente comparar essa efusão do Espírito com um Sacramento?
- Ao vincular efeitos espirituais a um rito determinado, a efusão do Espírito se assemelha aos Sacramentos. Mas estes transmitem uma Graça não sensível (deixam-nos na ordem da Fé), enquanto esse rito pretende fazer sentir a ação de Deus. Pode-se, então, defini-lo como uma caricatura de Sacramento que transmite não a Graça de Deus, mas a ilusão sensível dessa Graça. Sabe-se que o demônio tem o poder de criar essa ilusão naqueles que procuram experimentar, de modo sensível, a ação divina.
É preciso considerar os carismáticos como possuídos pelo demônio?
- Todos aqueles que recebem a efusão do Espírito não são, só por esse fato, possuídos pelo demônio; nem mesmo, necessariamente, culpados de pecado mortal (por causa de uma certa ignorância do que fazem – ainda mais com o incentivo oficial vindo de Roma). Mas se abrem, assim mesmo, para uma influência diabólica que os coloca (e, no caso da sequência a uma devida advertência, mantém, pois, já sem ignorância) na ilusão, que arrisca falsificar sua vida espiritual e cegá-lo tanto para a crise na Igreja quanto sobre seu dever de estado pessoal. Alguns abandonaram completamente a vida cristã quando, alguns anos depois, as miragens desaparecem.
É necessário atribuir ao demônio as curas e os prodígios operados pelos carismáticos?
- O demônio não pode fazer milagres no sentido estrito (que manifestem um poder absoluto sobre a natureza), mas sim prodígios (que utilizam as leis da natureza de modo particularmente engenhoso). Ora, não se acham milagres patentes entre os carismáticos. Eles mesmos reconhecem que um bom número de curas, efetuadas no curso de suas reuniões, não duram. Ademais, as declamações em línguas desconhecidas proferidas em certas reuniões carismáticas foram, por vezes, identificadas como blasfêmias por pessoas que conheciam essas línguas e que estavam presentes por acaso.
Portanto, a coisa é muitíssimo mais séria do que se pensa e se deve ter a prudência de suprimir e evitar imediata e completamente!    
(grifos nossos)             

Minimus

28 de novembro de 2011

Mensagem do Papa São Gregório Magno à RCC


Mensagem do Papa São Gregório Magno à RCC


Para os que pensam ter o dom das línguas, mas  que perderam o dom de ouvir
 
São Gregório Magno, foi Papa no final do século VI. Foi um dos maiores Papas da Igreja. Em um de seus sermões, ele tratou dos pretensos carismas, e o que ele disse então responde perfeitamente às pretensões do falso misticismo da RCC de hoje em dia.
 
Este sermão, foi feito por esse santo Papa, no dia da Ascenção de Nosso Senhor Jesus Cristo,  em 24 de Maio de 591, na basílica de Sâo Pedro, comentando o texto do Evangelho de São Marcos (XVI, 15-20).
Ele será bem útil àqueles que, sendo humildes,  amarem mais terem ouvidos para ouvir do que pretenderem ter línguas estranhas para falar.  
 
Ouçamos, pois, São Gregório:
 
***
 
“Eis os sinais que acompanharão aqueles que terão acreditado: em meu nome, eles expulsarão os demônios, eles falarão em línguas novas, eles pegarão em serpentes, e se tiverem bebido algum veneno mortal, ele não lhes fará nenhum mal. Eles imporão suas mãos aos doentes e estes serão curados” (São Marcos, XVI,16).
 
Será que, meus caros irmãos, pelo fato de que vós não fazeis nenhum destes milagres, é sinal de que vós não tendes nenhuma fé?
Estes sinais foram necessários no começo da Igreja. Para que a Fé crescesse, era preciso nutri-la com milagres. Também nós, quando nós plantamos árvores, nós as regamos até que as vemos bem implantadas na terra. Uma vez que elas se enraizaram, cessamos de regá-las.
Eis porque São Paulo dizia:”O dom das línguas é um milagre não para os fiéis, mas para os infiéis” (I Cor, XIV,22).
 
Sobre esses sinais e esses poderes, temos nós que fazer observações mais precisas?
A Santa Igreja, faz todo dia, espiritualmente, o que ela realizava então nos corpos, por meio dos Apóstolos. Porque, quando os seus padres, pela graça do exorcismo, impõem as mãos sobre os que crêem, e proibem aos espíritos malignos de habitar sua alma, faz outra coisa que expulsar os demônios?
        Todos esses fiéis que abandonam o linguajar mundano de sua vida passada, cantam os santos mistérios, proclamam com todas as suas forças os louvores e o poder de seu Criador, fazem eles outra coisa  que falar em línguas novas?
Aqueles que, por sua exortação ao bem, extraem do coração dos outros a maldade, agarram serpentes.
Os que ouvem maus conselhos sem, de modo algum, se deixar arrastar por eles a agir mal, bebem  uma bebida mortal, sem que ela lhes faça mal algum.
Aqueles que todas a vezes que vêem seu próximo enfraquecer, para fazer o bem, e o ajudam com tudo o que podem, fortificam, pelo exemplo de suas ações, aqueles cuja vida vacila, que fazem eles senão impor suas mãos aos doentes, a fim de que recobrem a saúde?
 
Estes milagres são tanto maiores pelo fato de serem espirituais, são tanto maiores porque repõem de pé, não os corpos, mas as almas.
Também vós, irmãos caríssimos, realizais, com a ajuda de Deus, tais milagres, vós os realizais, se quiserdes.
Pelos milagres exteriores não se pode obter a vida. Esses milagres corporais, por vezes, manifestam a santidade.Eles não criam a santidade.
Os milagres espirituais agem na alma.Eles não manifestam uma vida virtuosa. Eles fazem vida virtuosa.
Também os maus podem realizar aqueles milagres materiais. Mas os milagres espirituais só os bons podem fazê-los.
É por isso que a Verdade diz, de certas pessoas:
“Muitos me dirão, naquele dia: “Senhor, Senhor, não foi em teu nome que nós profetizamos, que nós expulsamos os demônios e que realizamos muitos prodígios? E Eu lhes direi:”Eu não vos conheço. Afastai-vos de Mim, vós que fazeis o mal” (São mateus VII, 22-23).
 
Não desejeis, ó irmãos caríssimos, fazer os milagres que podem ser comuns também aos réprobos,, mas desejai esses milagres da caridade e do amor fraterno dos quais acabamos de falar: eles são tanto mais seguros pelo fato de que são escondidos, e porque acharão, junto a Deus, uma recompensa tanto mais bela quanto eles dão menor glória diante dos homens”(São Gregório Magno, Papa, Sermões sobre o Evangelho, Livro II, Les éditions du Cerf, Paris, 2008, volume II, pp. 205 a 209).
       
***
Eis o que nos ensina São Gregório Magno, Papa, prevenindo-nos contra o pretender possuir imprudentemente os dons e carismas extraordinários do Espirito Santo.
 
E este santo Doutor da Igreja nos previne ainda contra os que pretendem que se tornem comuns a todos, os carismas e dons que o Espírto Santo dá extarordinaraiamente apenas a alguns, que ele escolhe sem precisar que se lhes ensine trejeitos que imitem os verdadeiros dons, que são gratuitos, e não fruto de uma técnica humana.
 
Quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça. E que toda língua pretensiosa e imprudente se cale.
 
Sâo Paulo, 17 de julho de 2009.
Orkando Fedeli
 

O Dogma que derruba a RCC ou a heresia do pentecostalismo


O Dogma que derruba a RCC ou a heresia do pentecostalismo
Fundamento bíblico: Jesus depois de ressuscitado, tendo indicado apenas aos Doze (apóstolos) que ainda lhes encontraria para ascender ao Céu, soprou sobre eles e disse-lhes “recebam o Espírito Santo, o que ligares ou desligares na terra será ligado ou desligado no céu, pois quem vos ouve a Mim ouve”.
Antes, também lhes tinha dito que “enviaria o Espírito Santo para lhes dar memória e entendimento do que lhes falara, pois muitas coisas ainda não podiam compreender”.
Daí, uma das principais razões de ser e de fazer da Igreja: o Magistério infalível ditado pelo Espírito Santo, pelo qual a Igreja é Mãe e Mestra da única fé verdadeira. O Magistério infalível atinge, assim, na boca de Jesus o mesmo valor da Palavra transmitida por Escrito ou o Evangelho, pois até esta escritura foi reunida e promulgada como tal por aquele enquanto acompanhou a Tradição ou a Palavra transmitida desde o Mestre e os seus apóstolos de modo Oral, exclusivamente, nas quatro décadas que sucederam à Ressurreição.
Jesus soprou apenas sobre os apóstolos. Não havia outros discípulos, porque não os convidara. Muito menos havia a multidão, porque sem fé é impossível agradar a Deus e fé é “ato de inteligência e de vontade” e não sentimento ou emoção.
O Dogma da Infalibilidade
A infalibilidade está na assistência do Espírito Santo aos atos de Magistério do papa que, de sua parte, necessariamente, quer ser infalível porque acredita na mesma assistência e por ela dita, e não dialoga, porque o homem não pode dialogar de igual para igual com Deus, já que “tanto o céu dista da terra, como os pensamentos dos homens distam dos de Deus” e uma vez que o próprio Jesus disse que nos daria o entendimento, assim, desta forma, por seu Espírito Santo sobre os apóstolos debaixo do Primado de Pedro, este o cabedal e definido bem antes quando da declaração de fé petrina.
A RCC nega, mas sua “doutrina” própria e separada (pela obra escrita) é mais uma das negações da infalibilidade papal pelo molde incentivado nos documentos do Concílio Vaticano II, o qual, pelo papa João XXIII já na sua abertura, não quis ser dogmático (ou infalível), mas apenas pastoral.
Pois bem, o dogma a imperar é este, o qual foi publicado explicitamente em vários concílios, mas especificamente pelo Concílio Vaticano I (este, infalível porque nele se creu petrinamente e se quis ser infalível);
“O Espírito Santo assiste infalivelmente apenas ao Papa e aos bispos reunidos com ele e sob sua direção nas questões de fé e de moral”.
Refere-se ao depósito da fé imutável e infinita (sem evolução) como herança e como juízo para todas as gerações.
Ou seja, o Espírito Santo não assiste aos simples padres e aos leigos de uma forma infalível.
E aqui tratamos de uma questão de fé para se discernir acerca da própria fé e para se ter a justa ordenação da fé pelo intelecto, pois fé é ato de inteligência e de vontade, mas não sentimento ou emoção.
Este Concílio Vaticano I prosseguiu para definir as condições para haver a infalibilidade, assentadas mais no fato do papa crer que será infalível e querer ser infalível.
Mas, como um papa conciliar que quer “dialogar” e coloca supremacia nos teólogos para definirem questões de fé (e isto, por documentos oficiais) acreditaria ser infalível para, em seguida, querer ser infalível e se determinar a isto com oficialidade e publicidade, depois do Concílio Vaticano II que impôs o “diálogo” até ante o mero senso comum de fé nos leigos?
Foi por esta brecha que Roma possibilitou a exportação protestante e a inserção da RC entre católicos.
Porém, esta brecha consiste numa contradição visceral ou incongruência por entrechoque que impossibilita a infalibilidade. E como não querer que Deus verdadeiramente dite quando é a Verdade e exatamente, assim, presta-Se a dar aos homens a luz que estes não podem ter? Pode o infalível contemporizar com os falíveis acerca da própria Verdade?
E a RCC, por seus doutrinadores, acredita sim, que recebe a mesma assistência do Espírito Santo que receberia o papa mesmo se quisesse ser infalível.
E, desta forma, vai contra a principal obra do Espírito Santo, conforme a promessa do Mestre, que é dar “memória e entendimento acerca do que Jesus falou e do que não podemos compreender sem a ajuda de Deus”. 
Conforme a intenção e consonante o teor do Concílio Vaticano I, o “carismático” pode vir a pecar contra o Espírito Santo, pois uma das quatro formas de pecar contra o Espírito Santo é propositalmente atacar Sua doutrina como ditada aos papas e pelos papas, porque outra sentença dogmatizada da Igreja é a de que “Deus não engana nem Se engana”, portanto, não pode ir contra Sua própria obra ou Se contradizer, se não, por vezes, apenas aparentemente aos olhos do homem, o qual, também por isso, necessita do Magistério infalível.
Sem a infalibilidade da fé e do primado petrinos, nas quatro condições acertadas pelo Concílio Vaticano I, as quais estiveram contempladas pelo escrito conclusivo e assinado por São Pedro e pelos apóstolos quando São Paulo disputou com aquele primeiro papa o óbice à sua pretensão judaizante, além do legado da geração dos bispos subapostólicos como Santo Inácio da Antioquia, desaparece um das principais razões de ser da Igreja e a própria catolicidade se fere de morte.
É este o mal fatal da RCC que, além de chegar a se contrapor à delegação exclusiva aos apóstolos sob São Pedro, tão só por desviar dos deveres irredutíveis do aprendizado e da observância do Magistério infalível, o qual acabou encoberto e asfixiado pela direção eclesial posterior ao Concílio Vaticano II, já compromete terrivelmente a salvação de seus seguidores e abre portas, sim, à sua condução satânica travestida de luz, para o que também alertaram os apóstolos, os santos e os papas infalíveis.
Não foi à toa que os papas pré-conciliares ao Vaticano II já haviam condenado o pentecostalismo, o americanismo e o carismatismo, enquanto relacionados entre si por causas e decorrências.
Você que quer ser católico de verdade, sem mistura de protestantismo, converta-se e procure, principalmente, sua orientação no Magistério pré-conciliar de Leão XIII, de Pio IX, de São Pio X, de Pio XI e de Pio XII e vislumbre encantado como Deus advertiu seu povo com exatidão sobre todos os males que adviriam do modernismo ou liberalismo iluminista.
Peça a Deus e a Nossa Senhora a verdadeira fé e a coragem e a paciência de sofrer a presente Cruz da Igreja, mas corra para sustentar sua fé nos sacramentos válidos, lícitos e frutuosos conforme Santo Tomás de Aquino, assim como para o socorro de Nossa Senhora pelo reza do Santíssimo Rosário como ela o ditou a São Domingos.
Escrito na caridade de Cristo que perdoa e corrige o contrito e humilhado,
Deus lhe ajude. Amém.

Fonte:  Texto enviado por um leitor

21 de novembro de 2011

RCC



O movimento carismático: uma perigosa ilusão

Jornal Sim Sim Não Não

A Renovação Carismática Católica parece ser a última esperança dos Bispos para encher as suas igrejas. Será realmente a solução correta?
Todos os promotores do movimento carismático que se autodenomina católico fazem alarde, com complacência, dos efeitos do “batismo do Espírito”, como o Pe. Caffarel em Deve-se falar de um pentecostismo católico?. Falam de muitos assuntos: o incremento de vida divina e o descobrimento do Hóspede interior, uma oração viva e jubilosa; o amor à Sagrada Escritura; o apego à Igreja; o impulso missionário; uma experiência de liberação (no plano físico, moral, psicológico) e, por último, os carismas: profecia, discernimento dos espíritos, poder de curas, falar em línguas, dom de interpretar… Em poucas palavras: tudo de que se precisa para renovar a paz na terra! E justamente porque provoca estes efeitos maravilhosos de ardor religioso, a renovação carismática apresenta um atrativo fora do comum, uma vez que a atração do extraordinário é mais forte do que todas. De fato, que sacerdote, que católico militante não deseja que seu apostolado seja eficaz? Que discípulo de Cristo não deseja ardor ao rezar, ao ler a Sagrada Escritura, ao praticar a caridade? Que cristão não deseja “sentir” o amor de Deus, sua inefável presença, sua ação benéfica? Que católico não se cansa de viver na “nudez” da fé, na “negrura” da esperança (sperare contra spem), num mundo cada vez mais deserto, no qual os medos, os compromissos, as traições asfixiam cada vez mais a Verdade, natural ou sobrenatural, e onde a caridade é muitas vezes nada mais que filantropia sem fogo divino e sem chama?
A “fé” carismática é feita de intuição, de sentimento, de experiência interior. É uma “fé” imanente e subjetiva. Não se trata de “saber” para crer, mas de “sentir” para crer. A alma toma o caminho da sensibilidade, e é aí onde o demônio está na espreita.

Suas origens
Tudo começou com a participação de alguns católicos em assembléias de pentecostistas protestantes e com a recepção do “batismo do Espírito” por obra dos pentecostistas.
Em 13 de janeiro de 1967, “dia da oitava da Epifania, consagrado pela liturgia católica à celebração do batismo de Jesus por meio do Espírito Santo no Jordão, … eles [os fundadores do pentecostismo] encontravam-se na casa de Miss Florence Dodge, uma presbiteriana que havia organizado um grupo de oração há algum tempo. O grupo reunia-se em sua casa com regularidade e ela habitualmente dirigia essas reuniões” (Le Retour de l’Esprit, p. 22, ed. du Cerf, Paris – livro dos Ranaghan, que figuraram entre os primeiros “pentecostistas católicos” e também entre os primeiros em escrever sobre o movimento carismático). Mais tarde, três professores de Pittsburg e a esposa de um deles assistiram uma primeira reunião carismática: “Deixou-nos uma impressão duradoura, diz um deles, de que ali operava o Espírito [?]” (Ibidem, p. 23).
Dois dos professores (Ralph Keifer e Patrick Bourgeois) assistem à reunião seguinte: “terminou – diz Ralph Keifer – quando Pat [Patrick Bourgeois] e eu pedimos que rezassem conosco a fim de recebermos o batismo do Espírito.
Eles se dividiram em vários grupos, porque rezavam por várias pessoas. Só me pediram que fizesse um ato de fé para que o poder do Espírito operasse em mim. Logo rezei em línguas” (Ib., p. 23). “Na semana seguinte – acrescentam os Ranaghan -, Ralph [Keifer] impôs as mãos aos outros dois [ou seja, ao outro professor de Pittsburg e à esposa de um deles] e também eles receberam o batismo do Espírito” (Ib., p. 24). O processo está a caminho: o iniciado torna-se iniciador e transmite o “influxo espiritual”. Todo o chamado pentecostismo ‘católico’ se encontra em germe nesses textos do livro dos Ranaghan. Prosseguindo sua leitura, vemos como a “corrente” passa de um dos promotores aos recém-chegados: “Um casal de noivos … tinha ouvido falar do “batismo do Espírito Santo” e desejava recebê-lo. Aproximaram-se então de Ralph Keifer [um dos fundadores do pentecostismo “católico”] e pediram-lhe que rezassem com eles para que o Espírito Santo se fizesse plenamente em sua vida… Foram profundamente tocados pelo Espírito de Cristo. O Espírito manifestou-se muito rápido com o dom das línguas e aquele jovem e aquela senhorita louvaram a Deus” (Ib., p. 29). E tudo não acaba aqui: “Mas eles sabiam que, ao mesmo tempo, uma das jovens [membro do grupo pentecostista] … tinha sido atraída para a capela e que ali tinha sentido a presença quase tangível do Espírito de Cristo. Saiu tremendo da capela e chamou os outros para que regressassem até ali. Os membros do grupo, sozinhos ou em dupla, dirigiram-se para lá e, enquanto estavam todos unidos em oração, o Espírito Santo se fez derramar sobre eles” (pp. 29-30). Salta à vista que essa espécie de “Espírito” sopra muito e “pneumatiza” todo aquele que se entrega a sua ação transbordante de favores carismáticos! Em poucas palavras: a corrente carismática passou do protestantismo herético e iniciático aos supostos católicos, provocando “efeitos maravilhosos” de ardor religioso que não podem ser explicados por uma causa sobrenatural, porque o Senhor não pode de maneira alguma participar de uma experiência feita por católicos desobedientes à Igreja, em um ambiente herético e com uma iniciação, um rito, abertamente acatólico.

A iluminação iniciática
O pentecostismo carismático parte de um fenômeno que, segundo parece, quer se fazer passar por uma obra do Espírito Santo; tal fenômeno consiste em uma iluminação iniciática.
A iluminação iniciática constitui o umbral das sociedades secretas, congregações iniciáticas, etc. No movimento carismático, essa iluminação “precipita” a alma num universo que já não é o da fé católica, e sim outro universo. Para se chegar à iluminação iniciática, requer-se uma escolha, uma decisão. No movimento carismático, tal escolha consiste em receber o famoso “batismo do Espírito”. Nota-se que a iluminação iniciática não é algo que se aprenda, mas uma “impressão” que se recebe e que não se pode explicar.
No movimento carismático, nada, absolutamente nada, pode verificar-se sem um membro “iniciador”, que já tenha recebido o “batismo do Espírito” (ou seja, a “iniciação carismática”) e que, por si só, tenha-se tornado capaz de transmitir o “influxo espiritual” responsável pela impressão iniciática. Isso constitui um elemento capital no movimento carismático, elemento que também permite distinguir o Sacramento da Confirmação conferido no seio da Igreja Católica do mencionado “sacramento carismático”, pois somente um bispo pode conferir o Sacramento da Confirmação (ou um sacerdote delegado por ele), e ele não pode transmitir seu poder a seus sacerdotes e muito menos aos leigos. No movimento carismático, ao contrário, o iniciado transmite, através da iniciação, seu próprio poder de “iniciar”. Além disso – coisa estranha – um Cardeal pode receber a iniciação carismática das mãos de um menino dotado de “poderes espirituais” dos quais careceria o príncipe da Igreja. Basta que este menino tenha recebido o “sacramento” iniciático do “batismo do Espírito”. Tendo em vista a natureza hierárquica da Igreja, isso é simplesmente uma aberração!
Assim, os grupos carismáticos podem multiplicar-se até o infinito: basta que tenham um “iniciado”, seja padre, religioso ou leigo, homem ou mulher, velho, adulto ou criança. Isso não importa.

A iluminação iniciática exige um rito
Outro ponto capital é o da necessidade de um rito para realizar a iluminação iniciática.
O movimento carismático é a história de um influxo “espiritual” (alheio à fé católica) transmitido por um “iniciado” mediante um rito que serve de veículo: o “batismo do Espírito” com a imposição das mãos. Rito que os católicos foram buscar entre os pentecostistas protestantes! O movimento carismático não é nada, absolutamente nada, sem esse rito, quer dizer, sem a transmissão de um influxo “espiritual” destinado a produzir uma impressão ou uma iluminação iniciática.

A questão capital: de que natureza é esse influxo iniciático?
Nesse ponto arma-se a pergunta importante: qual é a verdadeira natureza desse influxo iniciático?
Basta ler o testemunho das vítimas da renovação carismática para compreender que o “Espírito” que dá sua força preternatural ao influxo iniciático produz efeitos absolutamente extraordinários pelo seu número, gênero, rapidez, intensidade.
Será um influxo de ordem preternatural, diabólico? É possível. Mas, uma vez que o demônio se sobressai na arte de disfarçar-se em anjo de luz, o que importa é distinguir os influxos. Que anjos intervêm na iniciação? Os bons concorrem somente para preparar a iluminação da fé e têm sempre a maior discrição. Mas os anjos maus podem alimentar qualquer tipo de ilusão e torná-la sedutora, acompanhando-a até de prodígios nos homens que se entregam à sua ação.
A iluminação carismática não pode ter uma origem divina no movimento carismático, porque sua fonte não é a da fé católica.

A doutrina católica dá o remédio contra a sedução diabólica
Visto que o mal contido na iluminação iniciática não é manifesto, as almas não se questionam se tudo está bem ou mal, e caem facilmente na rede infernal sem sabê-lo. Para livrá-las de sua cegueira, seria mister fazer o discernimento dos espíritos, o único meio que permite realmente ver uma inspiração diabólica ali onde se crê ver uma inspiração divina.
Deus, de fato, não se pode deixar roubar o Sacramento da Confirmação por uma caricatura simiesca totalmente alheia à fé católica. Deus, na verdade, é dono de seus dons e pode dar os que quiser, a quem quiser e quando quiser. Mas o católico não deve “tentar” o Senhor (Mt 4,7), diferente do que o pentecostismo-renovação convida a fazer.
Por isso São Vicente Ferrer, assim como Santo Tomás e São João da Cruz, põe as almas de sobreaviso contra a “sugestão e ilusão do demônio, que engana o homem em suas relações com Deus e em tudo o que se refere a Deus” (A vida Espiritual). Ele dá o remédio contra as tentações espirituais suscitadas pelo diabo: “Os que queiram viver na vontade de Deus não devem desejar obter [...] sentimentos sobrenaturais superiores ao estado ordinário daqueles que têm um temor e um amor a Deus muito sinceros. Tal desejo, de fato, só pode vir de um fundo de orgulho e de presunção de uma vã curiosidade em relação a Deus e de uma fé demasiado frágil. A graça de Deus abandona o homem que está preso a este desejo e o deixa à mercê de suas próprias ilusões e das tentações do diabo que o seduz com revelações e visões enganosas” (Ibidem). E também: “Fugi da companhia e da familiaridade daqueles que semeiam e difundem essas tentações e daqueles que a defendem e louvam. Não escuteis seus relatos nem suas explicações. Não procureis ver o que fazem porque o demônio não deixaria de vos fazer ver em suas palavras e obras, sinais de perfeição aos quais vós poderíeis prestar fé e assim cair e vos perder junto com eles” (Ib.). Acrescentamos as palavras de Santo Inácio, “expert” no discernimento dos espíritos: “É próprio do anjo mal, transfigurado em anjo de luz, começar com os sentimentos da alma devota e terminar com os próprios”.
Desde o momento em que a alma cruza o umbral do universo carismático (universo oculto) pode acontecer de tudo. Tudo começa com dons inefáveis: entusiasmo e ardor fervoroso, liberação dos complexos, dos vícios, dom de profecia, de cura, de glossolalia (ou xenoglossia: falar em língua estrangeira desconhecida), etc…
Impossível não se lembrar dessas palavras do Evangelho: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome, e em teu nome expulsamos os demônios, e em teu nome fizemos muitos milagres? E então eu lhes direi bem alto: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que operais iniqüidades” (Mt 7 – 22, 23).

A “Igreja do amor” ou o homem no lugar de Deus
No livro de Huysmans intitulado Là bas, há uma passagem particularmente importante que evoca a igreja carismática de João (contraposta à Igreja hierárquica de Pedro), que florescerá com a vinda do Paráclito e que se chama a “igreja do amor” (em sintonia com a “civilização do amor” de Paulo VI), a “igreja da reconciliação”, a “igreja ecumênica” ou “universal” (em virtude de seu carismatismo): “É um axioma teológico que o espírito de Pedro vive em seus sucessores. Viverá neles, até a expansão auspiciada do Espírito Santo. Então João, – diz o Evangelho – começará seu ministério de amor e viverá na alma dos novos Papas”. Esse texto mostra claramente o laço esotérico que liga a “expansão do Espírito Santo” (conduzido pela “renovação carismática”) e o “ministério de amor” de João. O autor esotérico Salémi enunciava em 1960: “O novo evangelho de João logo será pregado em toda a Terra” (Le message de l’ Apocalypse, p. 293).
Estamos no tempo desse “novo evangelho”: “Invoca-se o Apóstolo S. João – escreve Pierre Virion -, discípulo do amor, contra a autoridade de Pedro. É a velha teoria Rosa-Cruz, que profetiza a igreja esotérica [iniciática] de João, superior à igreja exotérica [não iniciática] de Pedro, e cujos tempos apocalípticos parecem ter chegado. A Igreja Romana deve ceder-lhe o posto, deve desaparecer tal como é: ‘Abriu-se … o ciclo de João’” (Mystère d’iniquité, p. 146).
Surge então a pergunta: que significa essa “igreja de João”, a igreja da terceira hora, a igreja da hora do Espírito Santo? A igreja de João já não é Deus em primeiro lugar, mas o homem; não a transcendência, mas a imanência; não a fé, mas o gosto sensível, o prodigioso, os carismas (democraticamente assegurados a todos, graças ao “batismo do Espírito”); não o dogma, mas a “revelação interior”, o subjetivismo, o profetismo, o iluminismo; não o sacramento instituído por Cristo, mas outra espécie de “sacramento” enxertado em uma corrente oculta (assim é o “batismo do Espírito”: uma paródia de sacramento com efusão da “graça diabólica” através de um rito herético); não a Eucaristia-Sacrifício (daqui vem a fúria contra o rito chamado de S. Pio V), mas a eucaristia-festa; não o sacerdócio ministerial, mas o caráter sacerdotal de todo fiel (1); não a igreja hierárquica e carismática ao mesmo tempo, mas uma igreja meramente carismática; não o Papa, mas um sínodo paralisador; não os bispos, mas uma colegialidade sufocante; não os párocos, mas as assembléias presbiteriais; não a hierarquia oficial, mas as comissões, comitês, etc., etc., constitutivos de um governo paralelo; não a Igreja Católica Romana, mas uma igreja universal que inclui todos os cultos tributados a qualquer divindade. Em conclusão: o que René Guénon chamaria de “igreja integral”. E esta “igreja integral”, cujo objetivo é destruir por asfixia a igreja hierárquica tradicional, a igreja de Pedro, deve ser o fruto da vinda do Espírito (os Ranaghan diziam: do “retorno” do Espírito), porque é o “Pentecostes” deste “Espírito” que permitirá a João exercer seu “ministério de amor”!
Compreendemos agora porque em nossos dias fala-se tanto de amor: “Enganar-se-á o povo em nome do amor, de um amor que não é a caridade teologal, mas cujo nome usurpa. Assim, nunca tínhamos lido tanto nas publicações maçônicas a frase: ‘Amai-vos uns aos outros’. Mas é sempre empregada, em nome de Cristo, contra sua Igreja” (Mystère d’Iniquité, cit., p. 146).

Que fazer?
Que fazer diante desta cegueira causada pela invasão carismática, caricatura diabólica do Sacramento da Confirmação, chamada de “batismo” com razão, porque marca a passagem do mundo católico ao mundo oculto? São João da Cruz dizia: “[Uma vez cegada a alma] poder-se-á enganar quanto à quantidade ou qualidade, pensando que o que é pouco é muito, e o que é muito, pouco; e quanto à qualidade, considerando o que está em sua imaginação como uma coisa, quando não é senão outra coisa, trocando, como diz Isaías, as trevas pela luz e a luz por trevas, e o amargo por doce e o doce por amargo (5, 20)” (Subida do Monte Carmelo, L. 3, cap. 8).
Hoje, mais do que nunca, é necessário insistir no que constitui a verdadeira vida de fé. Continuemos ouvindo S. João da Cruz: “ (…) e assim, estando a alma vestida de fé, o demônio não a perturba, porque com a fé ela está muito amparada – mais do que com todas as demais virtudes – contra o demônio, que é o mais forte e astuto inimigo.
Por isso S. Pedro não encontrou maior amparo do que a fé para livrar-se do demônio quando disse: Cui resistite fortes in fide (2) (I Petr 5,9). E para conseguir a graça e a união com o amado, a alma não pode ter melhor túnica e vestimenta interior, como fundamento e princípio das demais virtudes, que esta brancura da fé, porque sem ela, como diz o Apóstolo, é impossível agradar a Deus (Hebr 11,6), e com ela é impossível também deixar de agradar, pois Ele mesmo diz pelo profeta Oséias: Desponsabo te mihi in fide (Os 2,20), que quer dizer: “Se queres, alma, unir-se a mim e me desposar, deverás vir interiormente vestida de fé” (Noite passiva do espírito, cap. 21).
Recorramos à Santíssima Virgem para que esmague a cabeça daquele que se faz passar pelo Espírito Santo e quer fazer-se adorado em seu lugar. Recitemos por isso o Santo Rosário com todo o ardor de nossa fé, inimiga da “sensibilidade carismática”.

PS: Em nossa edição portuguesa, fizemos um resumo do texto original, modificando também um pouco a ordem do mesmo e alguns títulos e fazendo alguns pequenos acréscimos.

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Notas:
(1) Assim testemunha um pentecostista: “Os católicos sabem agora que pode-se receber o batismo do Espírito Santo sem a imposição das mãos por parte dos bispos ou sacerdotes, porque podem ir diretamente a Jesus [como os protestantes]. De minha parte, descobri com muita surpresa que os católicos se alegram por já não dependerem completamente dos sacerdotes” (citado por Lumière, julho de 1975). Também um padre católico carismático testemunha: “Começamos a realizar o sacerdócio de todos os fiéis” (Ibidem).
(2) Ao qual resisti forte na fé